O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que não vê o senador Flávio Bolsonaro desistindo da disputa ao Planalto, apesar dos problemas internos no campo bolsonarista. Em entrevista ao O GLOBO, ele disse que o pré-candidato enfrenta ruídos com aliados e familiares, mas mantém números que, na avaliação dele, sustentam a candidatura. O dirigente repete, no seu estilo discreto, a atitude do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
“Como são pessoas que estão na campanha do Flávio, são atores importantes que estão com problema de relacionamento. A Michelle é esposa do pai do candidato. É possível falar que o candidato não está com problema? Lógico que está. Mas não vejo o Flávio deixando de ser candidato. Os números na pesquisa dele são bons, por que ele vai deixar?”, disse Kassab.
Kassab, anunciado como vice na chapa do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou que Lula estaria no segundo turno em um cenário presidencial e defendeu que o nome do PSD teria mais condições de vencê-lo.
“Não é uma disputa com Flávio. O que vejo hoje é o Lula no segundo turno e, se for Flávio contra Lula, o Lula ganha. Se for o Caiado contra o Lula, o Caiado ganha. Porque o Lula vai ter condição de explorar a rejeição que o Flávio tem. E com o Caiado não tem essa rejeição. Flávio tem 51% de rejeição.”, declarou.
Kassab também criticou Flávio e Eduardo pela atuação no tarifaço. Ele disse que a postura prejudicou a imagem da família Bolsonaro e acusou Eduardo de ter dado “um passo errado” ao apoiar a medida.
“Prejudicou a imagem da família Bolsonaro. Desde o primeiro momento, o Eduardo deu um passo errado, com o apoio da família, a favor do tarifaço. Ele influenciou para que houvesse tarifaço. E agora o Flávio está correndo atrás do prejuízo, está procurando se recuperar, mas não consegue. Ele (Flávio) foi pedir um adiamento. Como adiamento? Então ele está de acordo? Tem que manifestar a sua discórdia, a sua repulsa. Para todos nós, é inadmissível essas medidas”, afirmou.

O presidente do PSD afirmou que o partido não punirá candidatos a governador que não subirem no palanque de Caiado. Ele citou o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e disse que o nome dele deve aparecer em palanques de Lula, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado, devido às alianças locais formadas no estado.
Kassab defendeu ainda o fim do modelo atual de emendas parlamentares, após a aprovação do Orçamento de 2026 com R$ 61 bilhões destinados ao mecanismo.
“Sou radicalmente contra as emendas. Precisamos de um outro modelo. É um absurdo R$ 60 bilhões para o ano. Dá para construir duas linhas de metrô completas por ano numa cidade como São Paulo. Falo isso de uma maneira muito respeitosa, mas falo isso na minha bancada, falo em todos os lugares: não tem como continuar, qualquer que seja o presidente da República. Se continuarem, que sejam aplicadas nos respectivos orçamentos, no programa do Executivo, seja ele municipal, estadual ou nacional”, afirmou.
Ele também avalia que há espaço para que o Congresso adote medidas para limitar o poder dos parlamentares sobre a destinação de emendas. “Acho que quem quer ser presidente da República tem que deixar claro se é a favor que continue assim ou é contra. Eu defendo que o Caiado seja contra o modelo. Pode até continuar (a existir), mas não dá para ficar como está.”
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/kassab-diz-que-flavio-bolsonaro-enfrenta-crise-mas-nao-deve-sair-da-disputa-ao-planalto/

