Master financiou Revee, ligada à SAF da Portuguesa

Estádio do Canindé, conhecido como “Portuguesa”.  Foto: Reprodução

O Banco Master concedeu um crédito de R$ 458,6 milhões à Revee Real Estate, empresa ligada à estrutura que originou a SAF da Portuguesa e que prometia reformar o estádio do Canindé, em São Paulo. A informação consta em uma planilha enviada à Justiça pelo liquidante do banco em ação que pede o bloqueio de bens de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro.

O liquidante sustenta no processo que a família Vorcaro usava empréstimos como instrumento para retirar dinheiro do Master e repassar valores a familiares. A planilha lista um crédito tomado em 22 de março de 2024 pela Revee State SA, com prazo de pagamento de até cinco anos, até 2029.

Em 15 de agosto de 2025, o direito de receber o pagamento desse empréstimo foi cedido por R$ 600 milhões ao fundo Máxima FIM Crédito Privado 2. A operação, conforme o liquidante, envolveu um suposto pagamento de R$ 2,9 bilhões do Máxima ao Master para comprar cinco CCBs, as Cédulas de Crédito Bancário, entre elas a da Revee.

Quatro dessas cédulas tinham valor idêntico, de R$ 458.622.094,46, e contratos firmados entre março e maio de 2025. A iFLY Brazil, empresa que oferece experiência de paraquedismo indoor, também aparecia como tomadora; a Revee se apresenta em seu site como detentora da marca iFLY, ponto contestado pela própria iFLY.

Projetos da Revee incluíam arenas e concessões

Oito dias depois da operação de R$ 2,9 bilhões com créditos tomados por empresas ligadas à Reag, a Operação Carbono Oculto atingiu a gestora e a Revee. O empresário João Carlos Mansur, apontado como dono da Reag e um dos principais alvos da operação, presidia o conselho de administração da Revee. Augusto Lima, então CEO do Master, chegou a tentar associar o nome do Credcesta à Arena Fonte Nova, em Salvador.

A Revee anunciou a reforma do Canindé, manteve concessões de equipamentos públicos em Araraquara, Recife e Belo Horizonte e divulgou interesse em comprar um clube da segunda divisão de Portugal. A empresa também prometia construir uma arena multiuso no Anhembi, em São Paulo, em parceria com a GL Events, com investimento previsto de pelo menos R$ 500 milhões.

Em Araraquara, a concessão da Arena Fonte Luminosa, do ginásio Gigantão e de um centro de eventos foi assinada em 2023 por 35 anos, com previsão de R$ 10 milhões à vista e R$ 20 milhões em investimentos. No Recife, a Revee venceu a concessão do ginásio Geraldão por 35 anos, em contrato de R$ 209 milhões; em Belo Horizonte, assumiu por 20 anos o uso da Serraria Souza Pinto, com compromisso de investimento mínimo de R$ 7 milhões.

João Carlos Mansur. Imagem: reprodução

A empresa também buscou influência sobre arenas por meio da compra de dívidas. Em 2023, adquiriu por R$ 40 milhões parte da dívida da Arena do Grêmio e vendeu a fatia no ano seguinte a Marcelo “Marquespan” Marques por R$ 80 milhões. O plano citado para Arena Fonte Nova e Arena das Dunas envolvia estratégia semelhante, mas a Revee nega que tenha tido negociação ou interesse mútuo que resultasse em operação desse tipo.

Em nota, a Revee afirmou que liquidou integralmente o contrato de crédito em 18 de setembro de 2025, negou vínculo societário com a Reag e disse não ter envolvimento com os fatos da Operação Carbono Oculto. A companhia também declarou que o interesse em um clube de Portugal acabou após diligência, que Luis Davantel renunciou por motivos pessoais e que Lucas Trevisan deixou a Diretoria de Relações com Investidores, mas permanece como presidente do conselho de administração.

A iFLY Brasil declarou que a Revee não é dona da marca iFLY e mantém apenas um contrato de gestão para operar a unidade localizada em São Paulo. A empresa também informou que o empréstimo bancário citado foi integralmente quitado em 15 de outubro de 2025.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/master-financiou-reve-saf-portuguesa-caninde/