Ex-cunhado de Gilmar Mendes prestou consultoria a Vorcaro enquanto tinha trânsito no STF

Chiquinho Feitosa e Gilmar Mendes. Foto: reprodução

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro indicam que o ex-senador Chiquinho Feitosa (Republicanos) manteve conversas sobre processos no Supremo Tribunal Federal (STF) enquanto prestava consultoria à Super Empreendimentos, empresa ligada ao banqueiro, de acordo com informações do Estadão. Chiquinho era cunhado do ministro Gilmar Mendes no período dos diálogos, em 2024.

As tratativas incluíram precatórios de usinas adquiridos por fundos do Banco Master e a discussão sobre regras para abertura de cursos de medicina. Gilmar Mendes participou dos julgamentos citados e votou contra interesses atribuídos ao Master nos casos sobre precatórios.

Em mensagem de 11 de setembro de 2024, Chiquinho escreveu a Vorcaro que uma pessoa de sua equipe havia enviado o contrato para assinatura e emissão de nota. Ele afirmou estar “100% dedicado aos nossos assuntos, sempre com muita atenção, cuidado e responsabilidade conforme você me recomendou”.

No dia seguinte, Leonardo Palhares pediu a Vorcaro confirmação sobre os termos do acordo: R$ 500 mil líquidos por mês e um honorário extra de R$ 800 mil na primeira parcela, prevista para 15 de setembro. Vorcaro respondeu positivamente, e Palhares questionou se a Super Empreendimentos ficaria responsável pelo contrato.

Gilmar Mendes como padrinho de casamento de Chiquinho Filho, caçula do ex-senador. Foto: reprodução

Encontro no STF e processos de interesse do Master

As conversas também tratam de uma audiência realizada em 11 de abril de 2024 no gabinete de Gilmar Mendes, no STF, com advogados do Banco Master. Chiquinho encaminhou a Vorcaro o contato de uma servidora cedida ao gabinete do ministro e uma sugestão de roteiro que previa a entrada de André Krutchevsky, diretor jurídico do banco, e do advogado Bruno Bianco.

Após a reunião, Chiquinho disse a Vorcaro que “a conversa do Bianco ficou perfeita c o Gilmar”. Bianco, ex-advogado-geral da União, afirmou que atuou de forma independente por seu escritório, que não integrou o Banco Master e que a tese jurídica discutida não prosperou no tribunal.

Gilmar Mendes afirmou que não soube de tratativas entre seu ex-cunhado e Vorcaro e que não foi procurado sobre os assuntos. O ministro disse que recebeu os advogados em ambiente institucional, dentro do STF, e destacou que, nos processos mencionados, não votou a favor dos interesses apontados.

Chiquinho Feitosa negou ter mantido contrato com o Banco Master, mas reconheceu um vínculo de consultoria, por curto período, com a Super Empreendimentos. Ele declarou que considerava a empresa idônea naquele momento, disse não ter intermediado encontros entre funcionários do banco e Gilmar Mendes e negou saber que Bianco atuava para Vorcaro.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/mensagens-chiquinho-feitosa-vorcaro-casos-stf/