Fake news sobre autismo de Messi nasceu no Brasil

Lionel Messi com uniforme da seleção argentina. Foto: Reprodução.

Lionel Messi, um dos maiores jogadores da história do futebol, não tem diagnóstico público confirmado de autismo, apesar de um boato que circula há mais de uma década na internet. A história surgiu no Brasil em 2013 e recebeu negativas do pai do atleta e de Diego Schwarzstein, médico que tratou o argentino na infância.

O rumor começou em 27 de agosto de 2013, quando o escritor e jornalista Roberto Amado publicou em seu site o texto “Como o autismo de Messi ajudou-o a ser gênio”. A publicação afirmava que o jogador teria recebido diagnóstico de Síndrome de Asperger aos 8 anos, ainda na Argentina, mas não apresentava documento, relato familiar ou confirmação médica.

Na época, médicos ainda usavam o termo Asperger para descrever pessoas autistas sem atraso intelectual ou grandes dificuldades de linguagem. Os principais manuais médicos incorporaram essa classificação ao Transtorno do Espectro Autista, dividido por níveis de suporte de acordo com as necessidades de cada pessoa.

O texto de 2013 associava características conhecidas de Messi, como timidez em entrevistas, comportamento reservado e repetição de movimentos em campo, a sinais de autismo. Essas interpretações não bastam para um diagnóstico, que exige avaliação ampla de profissionais especializados.

Família e médico de infância negaram o suposto diagnóstico

A história ganhou alcance quando Romário, ex-jogador e então político, compartilhou o texto no X em setembro de 2013. “Vocês sabiam que o Messi tem Síndrome de Asperger? É uma forma leve de autismo, que deu a ele o dom do foco e concentração acima de tudo e de todos. Newton e Einstein também tinham níveis de autismo. Espero que, como eles, Messi se supere a cada dia e continue nos apresentando esse belo futebol”, escreveu.

A repercussão chegou a Jorge Messi, pai do jogador, que negou a informação e cogitou tomar medidas judiciais. Romário voltou às redes sociais e recuou: “Então fica aqui a informação: de acordo com o pai do Messi, ele não tem autismo. Não sou médico para confrontar a informação”.

No mesmo mês, o UOL procurou Diego Schwarzstein, endocrinologista argentino que acompanhou Messi na infância durante o tratamento para deficiência no hormônio do crescimento. O médico afirmou: “Leo nunca foi diagnosticado como Asperger ou qualquer outra forma de autismo. Isso é realmente uma bobagem”.

A informação também não aparece em biografias reconhecidas, documentários ou registros oficiais sobre a vida do argentino. O jornalista espanhol Guillem Balague, autor da biografia autorizada “Messi”, publicada em 2013, rejeitou publicamente a história.

O boato voltou a circular em outros momentos. Em 2017, no programa “Encontro”, da TV Globo, o consultor financeiro Gustavo Cerbasi citou Messi como exemplo de pessoa com habilidades associadas ao autismo, e Fátima Bernardes corrigiu a informação no ar ao dizer que não havia confirmação sobre o diagnóstico.

Em 2020, o ex-jogador francês Christophe Dugarry usou o termo “autista” de forma pejorativa ao comentar a relação entre Antoine Griezmann e Messi no Barcelona. A fala recebeu críticas, e Dugarry pediu desculpas dias depois.

Especialistas apontam que associar o talento de Messi a um diagnóstico sem confirmação alimenta estereótipos sobre o autismo, como a ideia de que pessoas no espectro sempre têm habilidades extraordinárias. Entre referências públicas que falaram sobre o próprio diagnóstico estão a escritora e pesquisadora Temple Grandin, o ator Anthony Hopkins e a ativista Greta Thunberg.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/messi-e-autista-saiba-a-verdade-por-tras-da-lenda-urbana/