O governo do México apresentou nesta quarta-feira (22) 20 denúncias criminais nos Estados Unidos por mortes de migrantes mexicanos sob custódia ou durante operações das autoridades migratórias americanas.
A gestão de Claudia Sheinbaum afirma que 17 mexicanos morreram em centros de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA, o ICE, ou em ações conduzidas por seus agentes desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025.
A chancelaria mexicana informou que protocolou oito denúncias em promotorias estaduais e 12 em promotorias de condado. As ações chegaram a jurisdições onde ocorreram as mortes, nos estados do Arizona, Califórnia, Flórida, Geórgia, Illinois, Louisiana, Missouri e Texas.
Sheinbaum já havia antecipado em 9 de julho que seu governo recorreria à Justiça americana para buscar responsabilização pelos casos. A iniciativa amplia a pressão diplomática mexicana sobre a política migratória dos EUA em meio ao endurecimento das operações do ICE no governo Trump.
O embaixador do México nos Estados Unidos, Roberto Lazzeri, “solicitou o esclarecimento de cada caso” em reuniões com o Departamento de Segurança Interna e com o ICE. Nos encontros, ele também “manifestou as preocupações” do México com as condições dos centros de detenção de imigrantes, informou a chancelaria.

O subsecretário para a América do Norte da Secretaria de Relações Exteriores do México, Roberto Velasco, pediu ao alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, que solicite informações aos Estados Unidos sobre as mortes. Velasco também pediu “recomendações técnicas para prevenir fatos dessa natureza”.
Entre os casos citados pelo governo mexicano está o de Lorenzo Salgado Araujo, de 52 anos, morto a tiros por um agente do ICE em Houston, no Texas, em 7 de julho. Ele estava dentro de seu caminhão de trabalho quando ocorreu a abordagem que terminou com o disparo.
O ICE afirmou que Salgado tentou fugir de uma operação migratória, bateu em um veículo da agência e tentou atropelar um agente antes de ser baleado. A agência disse que o disparo ocorreu em “legítima defesa”.
A família contesta a versão: Ronaldo Salgado, que se identificou como filho da vítima, disse à Telemundo Houston que o pai procurava trabalhadores na região quando os agentes o abordaram. As autoridades confirmaram depois que Salgado estava nos EUA com visto de turista, em contradição com a informação inicial de que ele vivia em situação migratória irregular.
A administração Sheinbaum descartou que as denúncias afetem a relação estratégica com Washington, enquanto México, Estados Unidos e Canadá negociam a revisão do acordo de livre comércio da América do Norte, o T-MEC.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/mexico-denuncias-mortes-migrantes-ice-eua/

