A conquista da seleção argentina na Copa do Mundo abriu uma nova disputa nos bastidores da política do país. O presidente Javier Milei ofereceu o balcão da Casa Rosada para receber os campeões e chegou a cogitar decretar feriado nacional. A decisão, porém, ficará nas mãos dos próprios jogadores.
O elenco votará durante o voo de volta se aceita ou não o convite do governo. A expectativa é que a equipe desembarque em Ezeiza e siga diretamente para a sede da Associação do Futebol Argentino (AFA), repetindo o distanciamento em relação ao governo demonstrado nos últimos anos.
Na campanha do título de 2022, apenas três atletas teriam defendido uma visita à Casa Rosada. Entre eles estavam o goleiro Emiliano “Dibu” Martínez, por questões protocolares, e Papu Gómez, por afinidade política.
Tapia quer permanecer no comando da AFA até 2031
Enquanto Milei tenta se aproximar dos campeões, o presidente da AFA, Claudio “Chiqui” Tapia, trabalha para consolidar seu poder.
Antes da final contra a Espanha, Tapia confidenciou a aliados que pretende disputar mais um mandato.
“Vou me candidatar no ano que vem para seguir como presidente da AFA até 2031. Depois disso, me aposento”, disse.
A estratégia seria aproveitar o prestígio da conquista mundial para fortalecer sua posição dentro da entidade.
Governo buscou intermediários para convencer a seleção
Nos bastidores, o governo afirma que Milei conversou com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e também manteve contato com o técnico Lionel Scaloni. Outra tentativa de aproximação teria envolvido o deputado Diego Santilli, que preserva boa relação com Tapia.
Integrantes da Casa Rosada afirmam que a sede presidencial foi colocada à disposição dos jogadores “sem exploração política” e que a palavra final será exclusivamente do elenco.
Relação entre Milei e AFA continua marcada por desconfiança
Apesar das tentativas de aproximação, a relação entre o governo e Tapia permanece distante.
Segundo a reportagem, o clima começou a melhorar apenas após a chegada de Juan Bautista Mahiques ao Ministério da Justiça, período em que investigações envolvendo Tapia e o dirigente Pablo Toviggino perderam intensidade.
Ainda assim, processos continuam em andamento. A Câmara Federal de Cassação Penal aceitou um recurso para investigar uma mansão em Pilar atribuída a Toviggino, enquanto o juiz Ariel Lijo ampliou investigações sobre operações financeiras que envolvem pessoas próximas ao comando da AFA.
Messi fala da crise econômica e contraria discurso oficial
Durante a comemoração do título, Lionel Messi aproveitou para mencionar a situação econômica enfrentada por muitos argentinos.
“Estamos felizes por dar essa alegria ao povo. Sabemos que há pessoas passando dificuldades, sem trabalho, que não conseguem chegar ao fim do mês”, afirmou.
🚨 MESSI: “SE LO DEDICAMOS A LA GENTE QUE LA ESTÁ PASANDO MAL”
🗣️ “A LOS QUE NO TIENEN TRABAJO, A LOS QUE NO LLEGAN A FIN DE MES” pic.twitter.com/d2E5DJc9Gu
— El Economista (@ElEconomista_) July 16, 2026
A declaração desagradou o governo.
O porta-voz Adrián Ravier respondeu afirmando que o Executivo não concorda com a avaliação de que a maioria da população enfrenta dificuldades para fechar as contas mensais.
Enquanto isso, um levantamento da consultoria EcoGo mostrou que os jovens são os mais afetados pelo endividamento no país. Entre argentinos de até 24 anos, 38,2% possuem dívidas em atraso, com valor médio superior a 1 milhão de pesos.
Bandeira das Malvinas volta ao centro do debate
Outro episódio político envolveu a bandeira das Ilhas Malvinas exibida pelos jogadores após a vitória sobre a Inglaterra.
Depois que a FIFA proibiu a entrada de bandeiras com referência ao arquipélago, os atletas improvisaram uma faixa utilizando um lençol de hotel, imagem que rapidamente ganhou repercussão internacional.
A ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, havia tentado intervir junto à FIFA, sem sucesso.
A ex-ministra Patricia Bullrich também explorou o episódio nas redes sociais, publicando uma foto comemorando a vitória diante da Inglaterra com um recipiente térmico estampado com a frase “As Malvinas são argentinas”.
Segundo levantamento da consultoria Ad Hoc, o tema Malvinas gerou mais de 2 milhões de menções nas redes sociais durante a semana da semifinal contra a Inglaterra. Já as publicações que relacionavam Milei ao assunto apresentaram 66,7% de menções negativas.
Copa não muda cenário político, avaliam aliados
Apesar da euforia pelo título mundial, integrantes do governo minimizam qualquer impacto eleitoral.
Nos bastidores do libertarianismo, a avaliação é de que uma conquista esportiva produz um momento de união nacional, mas não altera a percepção da população sobre inflação, renda e emprego.
Ao mesmo tempo, o governo acelera sua reorganização política visando a campanha pela reeleição de Milei, enquanto acompanha atentamente o retorno da seleção ao país, que ainda depende das condições climáticas para deixar Nova York.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/milei-quer-levar-selecao-da-argentina-a-casa-rosada-mas-decisao-sera-dos-jogadores/

