“Não tem o que fazer”: fala de Casimiro sobre bets causa revolta

Casimiro Miguel, o rosto da CazéTV. Foto: reprodução

A presença massiva de casas de apostas nas transmissões da Copa do Mundo abriu uma nova frente de críticas nas redes sociais. O principal alvo é a CazéTV, fenômeno de audiência do torneio, acusada por internautas e influenciadores de misturar comentário esportivo com indução a apostas para atender patrocinadoras do setor.

A discussão ganhou força após a viralização de um vídeo antigo em que Casimiro Miguel, nome central do canal, reconhece a dependência financeira da emissora em relação às bets. Ao comentar a quantidade de anúncios de casas de apostas durante as transmissões, ele admitiu que esse tipo de patrocínio é hoje decisivo para o modelo de negócio.

“É fato, né? Não, não tem muito o que fazer, mas é o que mais paga hoje, né?”, afirmou. Em outro trecho, Casimiro disse que as bets ajudam a sustentar a operação. “É o que faz girar o negócio’.

Ele também reconheceu não saber se seria possível manter o volume de competições transmitidas sem esse dinheiro: “Eu não sei, sinceramente, se daria pra gente ter as competições que tem”.

Nesta semana, o Ministério da Justiça abriu um processo para investigar eventual publicidade abusiva de bets na CazéTV durante transmissões da Copa do Mundo de 2026. A averiguação mira ações comerciais de casas de apostas exibidas durante partidas e a forma como narradores e comentaristas participaram da divulgação das promoções.

Um dos exemplos citados nas críticas ocorreu no jogo entre México e Coreia do Sul. Durante a transmissão, um lettering promovia uma “canetada” na Bet365, patrocinadora do canal, com aposta envolvendo chutes a gol de Quiñones e Son, além de gols das duas seleções. A odd apresentada era 4,00, indicando retorno de quatro vezes o valor apostado em caso de acerto.

Na sequência, a comentarista Ju Cabral, ex-jogadora da seleção feminina e medalhista olímpica, foi chamada a avaliar a chance de a aposta se concretizar. “A chance de isso acontecer… ela é grande”, afirmou.

A CazéTV, que transmite todos os jogos da Copa e já passa de 34 milhões de inscritos, também exibe anúncios de bets em barras laterais durante as partidas. Em algumas transmissões, cerca de 2 milhões de internautas acompanham os jogos ao vivo.

Fernanda Gentil e Guilherme Beltrão, apresentadores da CazéTV, durante ação de bet. Foto: reprodução

O incômodo gira em torno da fronteira entre conteúdo editorial e publicidade. Críticos afirmam que, quando uma transmissão esportiva apresenta uma aposta como provável ou “certeira”, o público pode deixar de perceber que se trata de uma ação comercial, e não de análise jornalística ou esportiva independente.

O debate também reacende a discussão sobre ludopatia, vício em jogos e apostas reconhecido pela Organização Mundial da Saúde. Para críticos das bets, a promessa de dinheiro fácil, especialmente em um país endividado, pode produzir consequências sociais graves.

Enquanto figuras como Luciano Huck, Virginia Fonseca, Denilson, Ronaldo, Galvão Bueno e Fernanda Gentil já enfrentam cobranças por anúncios de apostas, Casimiro ainda recebe reação mais branda. A diferença, apontam internautas, está na relação afetiva que o comunicador construiu com seu público, o que gera maior tolerância a contradições.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/nao-tem-o-que-fazer-fala-de-casimiro-sobre-bets-causa-revolta/