O New York Times repercutiu a denúncia apresentada pela campanha do presidente Lula (PT) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Meta, acusada de dar tratamento favorável ao candidato Flávio Bolsonaro nas plataformas digitais durante a eleição presidencial. A reportagem é assinada pela correspondente Ana Ionova, que cobre o Brasil para o jornal americano.
O NYT detalhou a representação, que afirma que resultados de busca omitiram ativistas progressistas, enquanto vídeos críticos a Bolsonaro foram removidos sem explicação e publicações favoráveis a Lula alcançaram menos usuários. A campanha pediu ao tribunal medidas para assegurar tratamento igualitário no ambiente digital antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Em documento de 30 páginas, os advogados de Lula classificaram o cenário como o de uma plataforma que praticaria “seletividade algorítmica ilegal” em meio à disputa presidencial. A ação também cita a suspensão temporária das contas de publicidade do presidente no Facebook e no Instagram no fim de setembro.
A Meta negou favorecimento político e declarou ao TSE que não opera seus sistemas para prejudicar ou beneficiar candidaturas. A empresa atribuiu a suspensão das contas publicitárias a um erro não intencional de um novo filtro antifraude e disse que o bloqueio durou uma hora.

Relatórios apontam restrições maiores a conteúdos pró-Lula
A reportagem ainda citou relatório da organização independente CTRL+Z, que relatou ter identificado 1.088 casos de censura eleitoral, bloqueios de contas ou restrições de alcance nas plataformas da empresa. O grupo afirma que as medidas atingiram de forma desproporcional conteúdos de apoio a Lula em comparação com postagens favoráveis a Bolsonaro.
Outro relatório, da entidade global Ekō, apontou que contas ocultas, algumas operadas fora do Brasil, conseguiram comprar anúncios políticos com desinformação e montagens produzidas por inteligência artificial. Entre os materiais, havia imagens falsas do presidente do TSE anunciando uma nova data para a eleição e vídeos falsificados de Donald Trump apoiando Bolsonaro.
A Meta contestou as conclusões e afirmou que os anúncios apontados foram aprovados, mas não chegaram a ser publicados. A companhia sustentou que seus filtros identificariam e barrariam esse tipo de conteúdo antes da veiculação e chamou os problemas relatados de falhas técnicas menores transformadas em narrativa política.
A empresa reconheceu que uma instabilidade em 7 de outubro reduziu temporariamente a visualização de contagens de vídeos para alguns usuários, mas disse que a falha afetou publicações de diferentes posições políticas e foi resolvida em poucas horas.
A advogada Marilda Silveira, especialista em direito eleitoral e plataformas digitais, afirmou ao jornal que, sem transparência sobre os algoritmos, não há como verificar sua imparcialidade. “Estamos sendo solicitados a simplesmente acreditar na palavra delas”, disse ao NYT.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/new-york-times-repercute-denuncia-de-lula-contra-a-meta-por-favorecer-flavio/


