O argumento do PL para manter salário de Cláudio Castro durante investigações do Master

Cláudio Castro, ex-governador do Rio. Foto: reprodução

Alvo de duas operações da Polícia Federal no mês passado, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) segue recebendo salário de R$ 38 mil do partido, equivalente a R$ 27,8 mil líquidos. O pagamento foi mantido pela legenda mesmo após o avanço das investigações sobre a relação dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que só pretende cortar o benefício em caso de condenação ou prisão do ex-governador. “O Cláudio vai parar de receber só se for condenado ou preso. Ele tem muito voto, ajudou muitos prefeitos no Rio e vai ser importante na nossa campanha”, disse ao Globo.

Castro está no centro de uma frente da investigação da Polícia Federal que apura os repasses feitos pelo fundo de aposentados e pensionistas do Rio ao Banco Master. Segundo a PF, o aporte de R$ 3,7 bilhões ao banco teria relação com a proximidade entre Castro e Vorcaro.

Na proposta de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, Vorcaro citou um anexo sobre Castro e relatou suposto pagamento de propina ao ex-governador. O conteúdo passou a integrar o conjunto de elementos analisados no caso Master.

Citado na delação, Castro tem dito a aliados que não houve irregularidade em um jantar e em uma degustação de uísque realizados em Nova York e pagos por Vorcaro. Os episódios foram mencionados pela PF em relatório sobre a relação entre o ex-governador e o dono do Banco Master.

Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução.

De acordo com a investigação, os encontros ajudariam a demonstrar uma suposta proximidade entre Vorcaro e Castro, que à época governava o Rio. A PF apura se essa relação teve impacto nos aportes milionários da Cedae e da RioPrevidência no Grupo Master.

Castro prepara uma defesa para apresentar à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, pretende explicar como conheceu Vorcaro e detalhar sua participação nos eventos realizados nos Estados Unidos.

O jantar ocorreu em maio de 2023 no Nusr-Et Steakhouse, restaurante do chef Salt Bae, em Nova York. Segundo a investigação, Vorcaro organizou e pagou a refeição, cuja conta teria chegado a cerca de US$ 13,3 mil, aproximadamente R$ 66 mil na cotação atual.

A aliados, Castro afirma que havia cerca de 20 pessoas em sua mesa, incluindo sua esposa e assessores. Ele sustenta que o grupo estava “preparado para pagar a conta”, mas teria sido “surpreendido” pelo gesto de Vorcaro de bancar a refeição.

Outro episódio citado pela PF foi uma degustação exclusiva de uísque, também em Nova York. Castro tem dito que cerca de 40 pessoas participaram do evento, entre elas deputados do MDB, do Republicanos e o filho de um ministro do Supremo.

Um dos presentes foi o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do STF. Segundo pessoas próximas à família, o próprio ministro também havia sido convidado, mas não compareceu após recomendação do filho.

A defesa de Castro deve sustentar que os encontros em Nova York não configuram ilegalidade e que a participação nos eventos não teve relação com os aportes feitos por órgãos do Rio no Grupo Master.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-argumento-do-pl-para-manter-salario-de-claudio-castro-durante-investigacoes-do-master/