A Colômbia passará a limitar a jornada de trabalhadores assalariados a 42 horas semanais a partir de 15 de julho, concluindo uma redução gradual de seis horas em cinco anos. A mudança interessa ao Brasil porque o Congresso discute a redução de 44 para 40 horas e o fim da escala 6×1.
A lei colombiana, aprovada em 2021 no governo de direita do ex-presidente Iván Duque, reduziu a jornada de 48 para 42 horas sem obrigar empresas a conceder ao menos duas folgas por semana. Em 2025, já no governo de esquerda de Gustavo Petro, uma reforma trabalhista elevou o salário mínimo em 23,7% e ampliou o período considerado para pagamento de adicional noturno.
O economista Stefano Farné, diretor do Observatório do Mercado de Trabalho e Seguridade Social da Universidade Externado, em Bogotá, disse que as mudanças aumentaram os custos das empresas, mas não derrubaram o emprego formal. “Não há dúvidas de que aumentaram os custos unitários por trabalhador na Colômbia”, afirmou.
Farné também afirmou que ainda não há estudo de avaliação de impacto com método científico sólido sobre os efeitos da redução da jornada no país. “Mas o que observamos é que não houve efeitos negativos sobre o mercado de trabalho. Além disso, o emprego assalariado do setor privado segue crescendo há muitos meses”, disse o economista.

Empresas relatam custos maiores e mudança nos horários
Uma análise da Corficolombiana estimou que 787 mil trabalhadores foram contratados entre 2022 e 2025 para compensar a diminuição das horas trabalhadas. A instituição avaliou que a medida impulsionou contratações, mas reduziu a produtividade ao distribuir o mesmo volume de trabalho entre mais pessoas. “Se mais pessoas precisam trabalhar para produzir a mesma quantidade, e cada trabalhador produz menos por jornada, a economia se torna menos eficiente”, diz a análise.
A Federação Nacional de Comerciantes e Empresários ouviu 610 empresários em 25 cidades e apontou que 51% das empresas passaram a fechar mais cedo, 25% aceleraram a automação de serviços e 23% aumentaram preços. A entidade citou varejo, bares, restaurantes, hotelaria e vigilância privada entre os setores mais afetados por operarem em horários estendidos.
A federação afirmou que 64% dos empresários entrevistados reduziram o número de empregados e que 80% modificaram planos de contratação. “Muitas empresas já estão enfrentando maiores custos operacionais, o que reduz sua capacidade de expandir operações e contratar novo pessoal. Também existe um ambiente de incerteza que leva os empresários a agir com prudência”, disse a entidade.
Farné apontou a transição gradual como uma das diferenças relevantes em relação ao debate brasileiro. “A recomendação é não fazer de um dia para o outro, mas aos poucos. Isso é bom para qualquer coisa em geral”, afirmou. No Brasil, a proposta prevê queda para 42 horas após 60 dias e limite de 40 horas depois de mais um ano; o economista Bruno Ottoni, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, avaliou que esse prazo é curto para a adaptação das empresas.
A lei colombiana também permite acordos para compensar horários, com mais horas em um dia e menos em outro, e autoriza o empregador a escolher o dia de folga semanal. “É uma forma de flexibilizar a diminuição do horário de trabalho. Por isso, não tivemos tantos efeitos na economia, porque a queda das horas de trabalho tem sido compensada por outras medidas”, disse Farné.
No Chile, o governo de Gabriel Boric aprovou em 2023 uma reforma para reduzir a jornada máxima de 45 para 40 horas semanais entre 2024 e 2028. Estudos sobre uma redução anterior, de 48 para 45 horas, concluída em 2005, indicaram efeitos pequenos ou sem impacto direto significativo sobre vagas, segundo Farné e o economista chileno Rafael Sánchez.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-pais-vizinho-ao-brasil-que-reduziu-a-jornada-aumentou-salarios-e-derrubou-o-desemprego/

