O pavor da campanha de Flávio Bolsonaro com a delação de Vorcaro e o caso Bacellar

O senador Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Além da queda nas pesquisas, outro fator passou a pesar sobre a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ): a desconfiança interna em torno de eventuais novos fatos que possam ligar o senador a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Desde que veio à tona a mensagem enviada por Flávio ao banqueiro, lideranças da campanha e do próprio PL passaram a temer que novas informações sobre a relação entre os dois se tornem públicas. Segundo o Globo, o primogênito de Jair Bolsonaro afirma a aliados que não há outros vínculos a serem revelados. Ainda assim, são poucos os integrantes do entorno que dizem acreditar integralmente nessa versão.

Nesta semana, as atenções estão voltadas para os desdobramentos da tentativa de delação premiada de Vorcaro. A Polícia Federal já negou o prosseguimento das tratativas, mas a Procuradoria-Geral da República ainda não apresentou sua posição final, embora a tendência seja de recusa também.

Entre os anexos entregues por Vorcaro está o detalhamento do pagamento de R$ 60 milhões ao filme Dark Horse, produção inspirada na biografia de Jair Bolsonaro. A informação foi divulgada pelo g. O Intercept Brasil revelou que Flávio pediu dinheiro para viabilizar a produção.

Dentro da campanha, a avaliação é que o simples avanço da delação já poderia ampliar o desgaste de Flávio. Caso apareçam fatos novos, o impacto pode ser “catastrófico”, segundo lideranças do PL.

Daniel Vorcaro na prisão. Foto: reprodução

Outro ponto de preocupação é o conteúdo de celulares de políticos fluminenses presos que tiveram relação com a família Bolsonaro. O principal nome citado nesse contexto é Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Bacellar se aproximou de Flávio em 2024 com o objetivo de disputar a sucessão de Cláudio Castro (PL) no governo do Rio. Ele chegou a se reunir com o senador e também teve agenda com Jair Bolsonaro para tratar de articulações da política fluminense. Na ocasião, o ex-presidente entregou a ele uma medalha com os dizeres “imorrível, imbroxável e incomível”.

Alvo de investigação da Polícia Federal, Bacellar está preso desde março. Familiares do ex-deputado negam que ele esteja negociando uma delação, mas a possibilidade tem gerado apreensão entre lideranças políticas do Rio.

O ex-deputado foi preso no âmbito da Operação Unha e Carne III, que aponta Bacellar como responsável por vazamentos de dados de uma operação contra o Comando Vermelho.

Rodrigo Bacellar e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

O clima de insegurança ocorre em meio ao avanço de Lula nas pesquisas. Levantamento Nexus/BTG Pactual divulgado nesta segunda-feira (15) mostra o presidente à frente nos cenários de primeiro e segundo turno.

No primeiro cenário estimulado, Lula aparece com 42% das intenções de voto, contra 33% de Flávio. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) têm 4% cada. Em outro cenário, o petista chega a 43%, enquanto o senador marca 34%.

No segundo turno, Lula também venceria Flávio Bolsonaro. O presidente aparece com 49%, contra 43% do senador. O levantamento reforça a leitura de que o desgaste político do bolsonarista ocorre em várias frentes: nas urnas, nos bastidores da campanha e nos desdobramentos das investigações ligadas a Vorcaro.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-pavor-da-campanha-de-flavio-bolsonaro-com-a-delacao-de-vorcaro-e-o-caso-bacellar/