O protesto que obrigou militares a trocarem fuzis por picaretas após terremoto na Venezuela

Militares em meio aos escombros na Venezuela. Foto: Miguel Medina/AFP

Um protesto de moradores fez militares deixarem os fuzis de lado e participarem da remoção de escombros em Tanaguarena, em La Guaira, epicentro dos terremotos na Venezuela. A reação ocorreu no domingo (28), quatro dias após os tremores que deixaram quase 1.500 mortos.

A cobrança ocorreu enquanto voluntários e equipes de emergência trabalhavam num prédio destruído. No local, 20 militares faziam só a segurança, o que provocou revolta entre moradores que tentavam retirar vítimas soterradas.

“O país precisa de vocês. Baixe sua arma, largue as balas”, gritou um homem a um militar. A cena expôs a tensão nas áreas mais afetadas, onde familiares cobram rapidez no resgate e ajuda das autoridades.

Entre os voluntários estava Alexander Mijares, comerciante de 26 anos, que havia ido ao prédio procurar uma amiga. Ele relatou a indignação com a postura dos soldados. “Eles ficaram encostados em uma parede quando nós tínhamos que retirar uma pessoa que estava morta, e eles estavam tranquilamente parados em um canto”, relatou.

“Por que não os trouxeram com macacões de trabalho? Por que não os trouxeram com pás e picaretas? Por que os trouxeram com fuzis e armas? Onde está a guerra?”, protestou. “Eles existem para defender um país”, acrescentou.

Ao lado dele, outros moradores também gritaram contra os militares. “Meus filhos não vão ser jogados em uma vala comum”, reclamou outro homem, irritado com a demora no resgate. Depois da pressão, os militares pegaram pás e picaretas e começaram a remover os escombros.

Equipes de resgate procuram pessoas em destroços após terremoto em La Guaira, na Venezuela
Equipes de resgate procuram pessoas presas nos destroços após terremoto em La Guaira, na Venezuela. Foto: Reprodução.

Sobe o número de mortes

Segundo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, pelo menos 1.450 mortes foram confirmadas após os dois terremotos da semana passada. Em pronunciamento televisionado, ele afirmou que 3.150 pessoas ficaram feridas. “Estamos em horas críticas, em horas cruciais, para continuar salvando vidas”, disse .

Rodríguez informou ainda que 12.721 pessoas ficaram desalojadas e 774 edificações foram danificadas ou desabaram, incluindo hospitais. Segundo o UNICEF, cerca de 680 mil crianças precisam de assistência humanitária.

Peru, Paraguai e EUA anunciaram apoio às operações. O governo venezuelano lançou uma campanha de doação de sangue, enquanto a Starlink informou acesso gratuito à internet para clientes da Movistar em La Guaira.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-protesto-que-obrigou-militares-a-trocarem-fuzis-por-picaretas-apos-terremoto-na-venezuela/