O ‘recado’ da Europa para a carne brasileira

Açougue brasileiro. Foto: Divulgação

Por Miguel Daoud, no Canal Rural

Nesta terça-feira (12), o setor agropecuário recebeu uma notícia que, à primeira vista, chama a atenção. A União Europeia nos tirou da lista de exportadores autorizados.

O bloqueio não atinge apenas a carne bovina. Ele é amplo e inclui também frango, ovos, mel, peixes e até produtos como tripas. Ou seja: quase tudo que vem da nossa pecuária está sob a lupa de Bruxelas.

O bloqueio europeu vai muito além do bife no prato: atinge de aves a ovos e mel, exigindo uma resposta rápida de toda a nossa cadeia produtiva.

O motivo oficial? O uso de antimicrobianos, aqueles produtos usados para o animal crescer mais rápido. Mas, antes de acharmos que a porteira fechou de vez, precisamos separar o que é política do que é técnica.

O que a Europa está questionando não é a qualidade da nossa carne. O foco está no nosso controle sobre substâncias que, segundo eles, criam bactérias super-resistentes. É um tema sério de saúde pública.

Mas não sejamos ingênuos: há muita pressão de fazendeiros franceses por trás disso. Eles tentam criar barreiras agora que o acordo com o Mercosul saiu do papel. O veto é, acima de tudo, um recado diplomático.

Cúpula do Mercosul. Foto: Divulgação

A boa notícia, é que muita gente esquece de mencionar, é que o dever de casa já começou. Em abril, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) já proibiu o uso dos cinco principais aditivos que incomodavam os europeus, como a virginiamicina.

Ou seja, a regra no Brasil já mudou. O que falta agora é mostrar para Bruxelas que a nossa fiscalização é séria e funciona na prática.

A data marcada para o bloqueio é 3 de setembro. Mas, como a própria representante da União Europeia, Eva Hrncirova, já sinalizou, essa lista é viva. Ela deixou claro que é perfeitamente possível reverter a situação e retomar as exportações antes mesmo de setembro, assim que o cumprimento das regras for comprovado.

Se o governo brasileiro apertar o passo na diplomacia e provar que as novas proibições já estão valendo no campo, temos todas as chances de resolver esse impasse rapidamente.

O Brasil é gigante no agro. Não vai cair por um entrave burocrático que já estamos resolvendo. É hora de pragmatismo, transparência e, claro, de defender o que produzimos de melhor.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-recado-da-europa-para-a-carne-brasileira/