A Polícia Federal apontou indícios de que Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, montou uma estrutura empresarial para operar parte do fluxo de dinheiro ilícito do Banco Master. Uma das empresas citadas nessa estrutura, a Entre Investimentos e Participações, aparece no mesmo relatório como responsável por remessas de US$ 12,3 milhões ao fundo usado no financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro.
A informação consta da IPJ-A nº 270/2026, datado de 2 de julho de 2026. O documento cruza informações de um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) com mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Master.
Na contextualização da análise, a PF afirma ter identificado elementos de que Freixo “arquitetou estrutura empresarial para operar parte do fluxo financeiro ilícito oriundo do Banco Master”. Os investigadores citam a Entre Investimentos, a Entrepay Instituição de Pagamentos e a Cactus Assessoria e Serviços como empresas utilizadas por ele. A análise integra a apuração sobre operações financeiras suspeitas ligadas ao banco.
O rastreamento identificou pelo menos sete remessas da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos, entre 13 de fevereiro e 16 de setembro de 2025. Elas somam quase US$ 13 milhões. A PF observou que os valores eram praticamente iguais às parcelas de um documento de financiamento enviado a Vorcaro, que previa um aporte de US$ 24 milhões para o projeto, então chamado de “Capitão do Povo”.
As conversas reproduzidas mostram a participação de Vorcaro na escolha do caminho para os pagamentos. Em 5 de fevereiro de 2025, após Fabiano Zettel, seu cunhado, relatar dificuldades com o câmbio do Master, o banqueiro orientou: “Vamos fazer via entre”. Em outra conversa, no dia 11, Zettel informou que o câmbio não queria realizar a operação e que as informações cadastrais eram “meio estranhas”. Vorcaro respondeu: “Preciso resolver HOJE”.

Em 14 de fevereiro, Zettel enviou a Vorcaro um comprovante de transferência de US$ 2 milhões, realizada no dia anterior pela Entre Investimentos ao Havengate, e identificou a operação com a mensagem “Filme!”. A PF também confrontou uma planilha enviada em agosto com as remessas e registrou coincidência entre os pagamentos. Freixo posteriormente confirmou à PGR ter realizado sete transferências a pedido de Vorcaro.
O relatório reúne ainda cobranças de Flávio Bolsonaro ao banqueiro. Em áudio de 8 de setembro de 2025, o senador demonstrou preocupação com parcelas atrasadas e com o risco de não honrar compromissos com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Em março daquele ano, mensagens encaminhadas a Vorcaro também mostravam Eduardo Bolsonaro dando orientações sobre a remessa de recursos aos Estados Unidos.
A PF ressalva que a análise é parcial. O relatório não conclui que a totalidade do dinheiro enviado ao Havengate tenha origem ilícita nem comprova o destino final de cada valor. Flávio Bolsonaro, que é investigado no STF pelo financiamento do filme, nega irregularidades. Em agenda de campanha em Roraima, na quinta-feira (10), afirmou: “Não há um centavo de dinheiro público. Pode revirar do avesso”.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/pf-empresa-suspeita-de-operar-dinheiro-ilicito-do-master-enviou-us-123-milhoes-a-dark-horse/

