A Polícia Federal reuniu indícios de que Itaú e Santander podem ter ajudado a manter o mecanismo que mascarou a situação financeira da Americanas, fraude que atingiu bancos, acionistas e credores da varejista. A investigação mira a participação das instituições em operações de risco sacado, usadas pela companhia para esconder parte de seu endividamento.
No risco sacado, um banco antecipa o pagamento a fornecedores e passa a cobrar a empresa que comprou os produtos. No caso da Americanas, a varejista adquiria mercadorias, o fornecedor recebia antes do prazo e o banco assumia o crédito, com a expectativa de receber depois da companhia, acrescido de juros.
Como a operação transforma a obrigação com o fornecedor em dívida com o banco, ela deveria aparecer nos balanços como passivo financeiro. A PF aponta que a Americanas registrava essas obrigações como dívida com fornecedores, o que reduzia artificialmente o endividamento bancário apresentado ao mercado.
A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou a segunda fase da Operação Disclosure e afirmou haver indícios de que bancos “atuaram possivelmente de forma coordenada para ocultar operações financeiras realizadas pela varejista”.
No fim de junho, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de executivos do Itaú e do Santander; um executivo do Bradesco também entrou na lista de alvos. Os investigadores apuram a emissão das cartas de circularização, documentos que os bancos enviam para a auditoria da empresa.

Para a PF, a omissão das operações de risco sacado nessas cartas evitava que os auditores identificassem a divergência entre as dívidas registradas nos balanços da Americanas e as obrigações financeiras mantidas com os bancos.
A linha de investigação sustenta que executivos bancários teriam atuado “para que as manipulações ao mercado fossem viabilizadas” e “teriam sido indispensáveis para as fraudes ocorrerem e se perpetuarem ao longo do tempo”.
A continuidade das operações teria permitido à varejista buscar novos financiamentos e adiar problemas de caixa enquanto o volume de risco sacado crescia. O Itaú afirmou que, “embora não seja objeto da investigação”, colabora com as autoridades desde 2023 e entregou informações sobre o caso Americanas.
O banco disse que sofreu perdas bilionárias, comprovou a regularidade de sua conduta e “recusou, de forma firme e independente, os pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços”.
O Santander declarou que “está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes envolvendo as Americanas e segue colaborando com as autoridades competentes”. A instituição também disse manter compromisso com “ética, transparência e o estrito cumprimento da regulamentação”; o Bradesco afirmou que acompanha o caso e permanece à disposição das autoridades.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/pf-ve-indicios-itau-santander-fraude-americanas/

