Diante das investigações que atingem o Banco Master, o governo federal passou a articular uma resposta política para administrar os efeitos do caso em Brasília. A movimentação ocorre após a revelação do escândalo e busca impedir que o episódio gere desgaste ao Palácio do Planalto e respingue no projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A estratégia foi definida internamente nas últimas semanas e envolve uma atuação coordenada dos ministérios. À frente dessa condução está o ministro da Secretaria de Comunicação Social (SECOM) Sidônio Palmeira, responsável por alinhar o discurso público e orientar a reação do governo diante dos questionamentos.
Entre as diretrizes repassadas, está a recomendação para que auxiliares do presidente enfatizem que as apurações tiveram início na atual gestão. O argumento central é afastar a ideia de omissão e reforçar que não há nenhuma tentativa de interferência ou bloqueio das investigações em curso.
Outro ponto explorado pelo governo é o histórico de doações eleitorais realizadas em 2022 por Fabiano Zettel, empresário e pastor da Igreja da Lagoinha (RJ), ligado ao Banco Master por laços familiares. Cunhado de Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira, Zettel repassou recursos a campanhas de adversários do Partido dos Trabalhadores (PT).


As doações tiveram como destino as campanhas do então presidente Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O tema passou a ser citado por integrantes do governo como forma de deslocar o foco político do escândalo.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, adotou esse argumento ao afirmar que cabe à oposição esclarecer eventuais vínculos de seus governos com o Banco Master. Segundo ela, é necessário explicar por que Zettel foi o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e de Tarcísio naquele pleito.
Gleisi evitou comentar a relação entre Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e lideranças do PT na Bahia. Questionada sobre o assunto, a ministra afirmou que acusações precisam ser acompanhadas de provas concretas.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também mencionou o papel de pessoas ligadas a Vorcaro no financiamento eleitoral de 2022. Haddad, que disputou o governo paulista com Tarcísio naquele ano, citou os valores como parte do contexto das investigações.
As prestações de contas mostram que Fabiano Zettel doou R$ 3 milhões à campanha de Bolsonaro e R$ 2 milhões à de Tarcísio. Para Haddad, o aprofundamento das apurações sobre o financiamento de campanhas pode levar a novas revelações sobre o caso envolvendo o Banco Master.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/planalto-atua-para-vincular-caso-master-ao-governo-bolsonaro-e-a-tarcisio/

