Por que o calor está matando milhares na Europa: o fracasso na luta contra a crise climática

A situação esta fora de controle em cidades como Paris Imagem: reprodução

A nova onda de calor que atinge a Europa deve provocar centenas, possivelmente milhares de mortes, reacendendo o debate sobre a incapacidade do continente de proteger sua população contra temperaturas extremas cada vez mais frequentes.

Mais de duas décadas após o verão de 2003, quando cerca de 70 mil pessoas morreram em consequência do calor, especialistas alertam que a Europa continua despreparada para enfrentar um fenômeno que deixou de ser excepcional e passou a fazer parte da rotina dos verões.

Na Espanha, pesquisadores já atribuem mais de 210 mortes registradas entre domingo e quarta-feira às altas temperaturas. Na França, tragédias individuais vêm chamando a atenção: um idoso morreu enquanto trabalhava ao ar livre, duas crianças faleceram após serem deixadas em um carro superaquecido e um menino de três anos foi encontrado morto dentro de um veículo onde havia se escondido.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o calor extremo já representa a maior ameaça climática à saúde dos europeus. O diretor regional da entidade, Hans Kluge, afirma que os governos ainda tratam as ondas de calor como eventos meteorológicos passageiros, quando, na realidade, elas já configuram uma crise permanente de saúde pública.

Europa concentra número desproporcional de mortes

Embora o continente reúna menos de 10% da população mundial, ele responde por mais de um terço das mortes relacionadas ao calor registradas pela OMS entre 2000 e 2019.

Nos últimos quatro anos, mais de 200 mil europeus morreram devido às altas temperaturas. Somente em 2022, foram mais de 60 mil vítimas.

Um dos principais fatores é o envelhecimento da população. Idosos, especialmente aqueles com doenças crônicas, são os mais vulneráveis, já que o calor intenso sobrecarrega o coração e outros órgãos enquanto o corpo tenta reduzir sua temperatura.

Especialistas também destacam que a mudança climática está avançando em ritmo muito superior às medidas adotadas pelos governos.

Casas e cidades viraram armadilhas de calor

Outro problema é a infraestrutura europeia. Grande parte das residências foi construída para conservar calor durante o inverno, e não para enfrentar verões cada vez mais intensos.

Em cidades como Paris, telhados metálicos transformam apartamentos em verdadeiros fornos. No Reino Unido, estimativas indicam que até 92% das casas existentes poderão sofrer superaquecimento até 2050.

Ao contrário dos Estados Unidos, onde cerca de 90% das residências possuem ar-condicionado, apenas um em cada cinco lares europeus conta com esse equipamento.

Além das moradias, escolas, hospitais, fábricas e até trens enfrentam dificuldades para manter ambientes refrigerados. As mortes relacionadas ao calor no ambiente de trabalho aumentaram 42% na União Europeia desde 2000.

Nesta semana, milhares de escolas suspenderam as aulas devido às altas temperaturas nas salas, a Bélgica retirou de circulação trens sem ar-condicionado e uma clínica francesa informou a morte de um paciente em um quarto hospitalar excessivamente quente.

Mudança climática acelera crise

Mesmo com sistemas de alerta e alguns investimentos em espaços climatizados e escolas mais adaptadas, especialistas afirmam que as medidas continuam insuficientes.

Pesquisas divulgadas nesta semana indicam que as mudanças climáticas tornaram as temperaturas atuais dez vezes mais prováveis e cerca de 2°C mais altas do que durante a histórica onda de calor de 2003.

Para os especialistas, a resposta passa por reformas em edifícios, ampliação das áreas verdes urbanas, criação de centros de resfriamento, mudanças nas jornadas de trabalho e fortalecimento dos serviços sociais para acompanhar idosos e outras pessoas vulneráveis.

O consenso entre os cientistas é claro: o calor extremo deixou de ser um episódio ocasional e se tornou uma característica permanente dos verões europeus, exigindo investimentos e planejamento de longo prazo para evitar que milhares de mortes continuem se repetindo todos os anos.

!function(f,b,e,v,n,t,s)
{if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?
n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,’script’,
‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘301448060382165’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-o-calor-esta-matando-milhares-na-europa-o-fracasso-na-luta-contra-a-crise-climatica/