O presidente da FIFA, Gianni Infantino, minimizoou o caso do árbitro somali Omar Artan, impedido de entrar nos Estados Unidos para trabalhar na Copa do Mundo de 2026. Durante uma entrevista coletiva de 66 minutos na véspera da abertura do torneio, Infantino pediu que as pessoas “relaxem” diante dos episódios dantescos envolvendo restrições migratórias, discriminação e barreiras impostas a participantes da competição.
Artan faria história como o primeiro árbitro da Somália a atuar em uma Copa do Mundo. No entanto, teve a entrada negada pelos EUA, que mantêm restrições de viagem para cidadãos de alguns países, entre eles a Somália. O episódio gerou indignação internacional e levantou questionamentos sobre a capacidade de a FIFA garantir igualdade de condições para profissionais envolvidos no torneio.
Ao comentar o caso, Infantino adotou um tom cínico. “É lamentável o que aconteceu com Omar. Mas nós não controlamos tudo. Tentamos, discutimos e vamos conversar”, declarou.
Em seguida, o dirigente foi além e pediu calma aos críticos. “Talvez às vezes seja bom simplesmente relaxar. Trabalhamos em tudo e tentamos resolver tudo. Às vezes começar a gritar e berrar tem o efeito contrário e dificulta encontrar uma solução”, afirmou.
Questionado novamente por um jornalista da BBC sobre o significado de seu apelo para que as pessoas “relaxem” e se perdeu o controle da competição, Infantino se enerolou na defesa das decisões governamentais. “Em 2035, acho que a Copa do Mundo Feminina será realizada no Reino Unido. Você acharia normal que a FIFA ditasse ao governo britânico quem pode entrar no país e quem não pode? Eu não sei, talvez você ache isso normal”, respondeu, visivelmente contrariado.
“Nosso mundo é um mundo muito agressivo e a segurança está acima de tudo. É preciso respeitar as decisões. Quando eu digo para ‘relaxar’, não quero dizer ‘relaxar e não fazer nada’. Quero dizer para confiar em nós. Nós sempre tentamos tornar a situação o mais positiva possível e encontrar soluções. Às vezes conseguimos, às vezes não conseguimos”.
As declarações ocorreram em meio a uma série de denúncias sobre o impacto das políticas migratórias dos Estados Unidos na Copa. Além do árbitro somali, torcedores de países sujeitos a restrições de viagem enfrentam dificuldades para acompanhar suas seleções. O caso se tornou um dos principais símbolos das críticas ao racismo e às barreiras impostas durante um torneio que a própria FIFA promove sob o slogan de união global por meio do futebol.
“Chill, relax”
BBC sports editor Dan Roan asks Fifa president Gianni Infantino if he’s lost control of his own tournament. #FifaWorldCup pic.twitter.com/swtkZFnqeL
— BBC Sport (@BBCSport) June 10, 2026
Infantino também foi questionado sobre a participação do Irã no Mundial. O país disputa seus três jogos da fase de grupos em território estadunidense, apesar das tensões diplomáticas e militares envolvendo Washington e Teerã. O dirigente comemorou a presença da seleção iraniana.
“Estou muito feliz porque fui pessoalmente visitar a equipe iraniana e, quando diziam que seria impossível eles virem, eu prometi que viriam”, afirmou. “Quando o Irã jogar, o estádio estará cheio e espero que haja uma atmosfera positiva. Isso é futebol.”
Mesmo celebrando a participação iraniana, o presidente da FIFA admitiu que ainda existem obstáculos. “Há desafios e, claro, não é fácil. Existem alguns problemas com os quais ainda estamos lidando.”
A coletiva também abordou os preços dos ingressos, os mais altos da história das Copas. Infantino defendeu a política adotada pela FIFA e argumentou que os valores seguem a lógica do mercado norte-americano. Segundo ele, “o mercado é o que é” e os recursos arrecadados retornam para o desenvolvimento do futebol.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/presidente-da-fifa-manda-pessoas-relaxarem-e-admite-nao-ter-controle-sobre-a-copa/

