Proibido de usar redes sociais, Bolsonaro perde seguidores e vive “morte digital”

Jair Bolsonaro usando o celular com tornozeleira eletrônia em prisão domiciliar. Foto: reprodução

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) perdeu ao menos 800 mil seguidores nas redes sociais desde o fim do ano passado, mesmo com seus perfis ainda disponíveis para visualização. O golpista, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, não publica mensagens desde 17 de julho do ano passado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a Veja, Bolsonaro tinha 68,5 milhões de seguidores em novembro, somando Instagram, X, Facebook, YouTube e TikTok. O número caiu para 67,7 milhões nos últimos meses, indicando uma retração relevante em sua presença digital.

A queda ocorre depois de um período em que o ex-presidente, mesmo preso, condenado e com as redes sociais bloqueadas pela Justiça, ainda ampliava sua audiência online. Como os perfis permaneceram abertos, publicações antigas continuavam recebendo interações, curtidas e acessos de apoiadores.

Nos últimos meses, porém, os perfis passaram a registrar sinais de abandono. A perda de seguidores é interpretada por políticos e influenciadores bolsonaristas como parte de um processo chamado de “morte digital”, expressão usada no ano passado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ao criticar a proibição de Bolsonaro acessar as redes.

“Com a proibição, o ex-presidente desaparece, some. Afinal de contas quem não está nas redes sociais não está no mundo. É uma maneira de apagar as pessoas”, afirmou Nikolas Ferreira, em declaração citada pela revista.

Última publicação de Bolsonaro, em 2025. Foto: reprodução

Pesquisadores buscam explicações para a mudança no comportamento dos seguidores do ex-presidente. Para a antropóloga Letícia Cesarino, da Universidade Federal de Santa Catarina, a condenação de Bolsonaro ajuda a explicar a perda de dinamismo dos perfis, hoje praticamente inativos.

Outro fator citado é o caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro. O filho mais velho do ex-presidente apareceu em um áudio pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar uma cinebiografia sobre o pai, episódio que teria contribuído para o afastamento de parte dos apoiadores.

Com Bolsonaro impedido de publicar diretamente, as menções ao ex-presidente nas redes têm sido sustentadas principalmente por seus filhos e aliados. O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), que pretende disputar uma vaga ao Senado por Santa Catarina, publicou recentemente mensagem contra o encarceramento do pai.

A retração ocorre em meio à reorganização do campo bolsonarista e à tentativa de manter a influência política do ex-presidente no debate público. Sem novas postagens em seus próprios perfis, Bolsonaro depende cada vez mais da atuação de familiares, parlamentares e influenciadores para permanecer ativo no ambiente digital.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/proibido-de-usar-redes-sociais-bolsonaro-perde-seguidores-e-vive-morte-digital/