Saiba quando deve sair a delação premiada de Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master. Foto: reprodução

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e seus advogados trabalham para entregar uma nova proposta de delação premiada à Polícia Federal em pouco mais de duas semanas. A defesa pediu acesso por mais horas diárias ao banqueiro na prisão e recebeu autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), com concordância da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo o Globo, os advogados solicitaram um regime especial de visitas até a primeira quinzena de junho. A ideia é usar o período para preparar novos anexos e apresentar uma proposta considerada mais robusta às autoridades. A primeira documentação entregue à PF foi tratada por investigadores como uma “brincadeira” e um material “sem pé nem cabeça”, por não trazer informações consideradas relevantes ou novas.

Após a negativa da PF, Vorcaro continuou negociando com a PGR, mas ainda insistia em uma “versão light”, com estratégia de contenção de danos. A linha dividia interlocutores ligados ao próprio banqueiro. Com a retomada das conversas na Polícia Federal, aliados de Vorcaro passaram a prometer que, desta vez, ele vai relatar o que realmente sabe.

O celular do ex-banqueiro, porém, segue sendo apontado como principal obstáculo para o avanço de um acordo. O aparelho concentra grande volume de material já usado para embasar as investigações, o que reduz o valor de uma colaboração que apenas repita elementos já conhecidos.

Protegendo Cláudio Castro

Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro. Foto: reprodução

A proposta rejeitada pela PF em 20 de maio omitia o envolvimento de Cláudio Castro (PL) no esquema que captou R$ 3,69 bilhões do Rioprevidência para o Banco Master em troca de pagamento de propina. O papel do ex-governador do Rio de Janeiro foi detalhado pela PF na representação que embasou a operação contra Castro e outros sete alvos na última terça-feira (26).

A investigação também cita o aporte de R$ 218 milhões em letras financeiras do Banco Master por meio da Cedae, estatal de tratamento de água do Rio. Segundo fontes a par da delação rejeitada, Vorcaro mencionou Castro apenas no contexto do convênio entre o governo fluminense e o Credcesta, programa de consignados gerenciado pelo Master.

Ao tratar dos aportes do Rioprevidência, Vorcaro atribuiu a Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, o controle sobre o fundo de pensão. Nos bastidores da política e do Judiciário fluminense, a influência de Rueda sobre o Rioprevidência e outros espaços da máquina estadual já era comentada.

Nos bastidores, Castro costumava dizer que, caso houvesse problema com os investimentos do Rioprevidência no Master, a carteira de consignados do Credcesta poderia cobrir eventuais perdas. Após a liquidação do banco, a Justiça do Rio autorizou o fundo a reter valores descontados, mas a medida dificilmente cobrirá os quase R$ 3,7 bilhões aplicados.

O advogado de Vorcaro, Sérgio Leonardo, retomou conversas com a PGR nesta semana para discutir a nova proposta. A Polícia Federal também sinalizou disposição para voltar à mesa de negociação. Caso o acordo avance, o ex-banqueiro terá de esclarecer se há novos elementos sobre sua relação com Castro e os investimentos do governo do Rio no Master.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/saiba-quando-deve-sair-a-delacao-premiada-de-daniel-vorcaro/