Por Leonardo Sakamoto, do UOL
Já era esperado que Lula abrisse alguma vantagem em relação a Flávio Bolsonaro na pesquisa Datafolha divulgada hoje devido à revelação do áudio e das mensagens em que o filho de Jair pedia R$ 134 milhões ao bandido-master, Daniel Vorcaro, e fazia promessas de lealdade eterna. A questão é que as denúncias parecem também ter afetado o clã Bolsonaro como um todo.
Na pesquisa passada, de 13 de maio, a diferença entre Lula e Flávio era de três pontos no primeiro turno (38% a 35%). Agora, ela saltou para nove (40% a 31%). A rejeição ao senador passou de 43% para 46%, enquanto a de Lula oscilou de 47% para 45%. A margem de erro é de dois pontos.
Após bolsonaristas passarem a ventilar a ex-primeira-dama como um nome possível caso Flávio vire geléia, o Datafolha testou Michelle Bolsonaro, substituindo o enteado. No primeiro turno, ela marca apenas 22%, frente a 41% de Lula.
Pior do que isso: na pesquisa espontânea, ela nem é citada. O que significa que a quantidade de pessoas que a vê como potencial substituta do bolsonarismo, caso Flávio se torne inviável, hoje é estatisticamente nula.
No segundo turno, Lula oscilou de um empate com Flávio, com 45% para ambos, para 47%, enquanto o senador marcou 43%. Michelle vai numericamente pior do que o enteado, com 43%, frente a 48% do presidente.

Os dados não são exuberantes para o petista, mas mostram que o escândalo, além de atingir a imagem do senador, pode ter afetado o clã. Nesta semana, o naco do bolsonarismo que tem ojeriza aos três filhos mais velhos de Jair apostava que isso poderia ser um livramento para a extrema direita. Para eles, Michelle aparecer bem pior do que Flávio foi um banho de água fria.
Algo que precisará ser analisado nas próximas pesquisas é se o escândalo (que tragou Flávio e o irmão Eduardo sob a justificativa de bancar um filme que retrata a vida de Jair, mas tem claros objetivos eleitoreiros) gerou ojeriza apenas ao nome do senador ou aumentou o cansaço do público com algo mais amplo.
O que os números do Datafolha sugerem é que talvez o problema não seja Flávio, mas o clã. E aqui falo especificamente dos eleitores independentes, que estão fora da polarização e devem decidir a eleição.
Por anos, a família funcionou como uma franquia política, cada membro reforçando a marca do outro. Agora essa lógica se inverte: o escândalo de um contamina os demais não só porque sejam cúmplices do crime, mas porque são herdeiros do símbolo. E símbolos, quando racham, racham inteiros.
Michelle, defendida por alguns como o plano B impecável, aparece numericamente abaixo de Flávio e estatisticamente invisível na memória espontânea do eleitorado. Ela não existe como liderança autônoma, mas como extensão de uma família. E, se a família vira problema, ela vira problema junto.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sakamoto-datafolha-mostra-que-escandalo-master-afeta-cla-bolsonaro-e-nao-so-flavio/

