Gilmar Mendes trava decisão sobre prisão de familiares de Vorcaro por receio de lavajatismo

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal) – Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes pediu vista dos processos que analisam as prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, respectivamente pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Com a medida, o magistrado interrompe temporariamente o julgamento e pretende examinar se as detenções estão sendo utilizadas como forma de pressionar por uma colaboração premiada mais ampla por parte do investigado.

Segundo informações apuradas pelo SBT News, Gilmar pretende avaliar se há semelhanças entre os procedimentos adotados no caso e práticas que, em sua avaliação, marcaram a Operação Lava Jato. O ministro já havia mencionado os chamados “métodos lavajatistas” ao comentar o caso Master, especialmente ao criticar vazamentos de informações da investigação envolvendo Vorcaro e citações a ministros do Supremo.

Em março, ao votar pela manutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, Gilmar afirmou que o uso de conceitos amplos para justificar prisões cautelares exige análise rigorosa. Na ocasião, declarou que mecanismos semelhantes foram empregados pela força-tarefa da Lava Jato para fundamentar medidas que posteriormente foram alvo de questionamentos judiciais.

“O apelo a conceitos porosos e elásticos para a decretação de prisões preventivas recomenda um olhar crítico. Afinal, em um passado recente, essas mesmas fórmulas foram indevidamente invocadas pela força-tarefa da Lava Jato para justificar os mais variados abusos e arbitrariedades contra aqueles que, ao talante dos investigadores, eram escolhidos como alvos de persecução penal ancorada em razões políticas e ideológicas”, disse.

Nesta sexta-feira (22), o relator do caso, André Mendonça, votou pela conversão em prisão preventiva das detenções de Henrique e Felipe Vorcaro. Segundo a investigação da Polícia Federal, Henrique aparece em mensagens tratando de pagamentos a integrantes de dois grupos identificados como “A Turma” e “Os Meninos”, apontados como responsáveis por ações de ameaça e espionagem atribuídas à organização investigada.

Já Felipe é descrito pelos investigadores como operador financeiro do esquema e teria tentado deixar sua residência em Trancoso, na Bahia, em um carrinho de golfe durante a abordagem policial.

A Polícia Federal rejeitou a proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro. Os investigadores alegam que o ex-banqueiro omitiu informações relevantes e protegeu agentes políticos, oferecendo elementos já conhecidos pelas autoridades. As negociações, entretanto, continuam sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em manifestação enviada ao Supremo, a defesa de Henrique Vorcaro sustenta que a Polícia Federal interpretou equivocadamente os pagamentos feitos a Marilson Roseno. Segundo os advogados, os valores estavam ligados a contratos de um empreendimento habitacional popular em Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro, que contava com a participação de Roseno e de Felipe Mourão, conhecido como Sicário.

A defesa afirma que os esclarecimentos apresentados alteram o contexto das conversas analisadas pelos investigadores e argumenta que as mensagens e registros telefônicos revelam cobranças e pressões frequentemente enfrentadas por familiares de pessoas presas.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/gilmar-mendes-trava-decisao-sobre-prisao-de-familiares-de-vorcaro-por-receio-de-lavajatismo/