Sobrinho de Marcola recebeu R$ 50 mil de empresa de ônibus investigada por lavar dinheiro do PCC

A Transunião operava as linhas da Zona Leste de São Paulo. Foto: Divulgação

A investigação sobre a ligação do PCC com empresas de ônibus em São Paulo aponta que Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, recebeu R$ 50 mil da Transunião Transportes S/A. A empresa opera 50 linhas na zona leste da capital paulista e foi alvo de uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil por suspeita de lavagem de dinheiro da facção.

O repasse aparece na denúncia da Operação Vérnix, a mesma investigação que levou à prisão da influenciadora Deolane Bezerra e expôs suspeitas de movimentações financeiras ligadas à cúpula do PCC. Segundo o MPSP, Leonardo recebeu dinheiro diretamente da concessionária.

“Entre as operações identificadas, R$ 50.000,00 foram oriundos da empresa de transporte coletivo Transunião Transportes S/A”, diz trecho do documento citado pelo Metrópoles. A empresa tem como responsável Lourival de França Monário, que aparece em inquéritos sobre lavagem de dinheiro.

Os investigadores suspeitam que familiares de Marcola fossem os verdadeiros donos de ônibus vinculados à Transunião. Planilhas obtidas pelo MPSP indicariam que veículos estavam registrados em nome de laranjas, chamados de “cooperados”, enquanto os donos reais apareciam como “cooperados oficiais”.

Leonardo também aparece em mensagens trocadas por Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro Herbas Camacho, irmão de Marcola. Nas conversas, ele é citado pelo codinome “L” e aparece como destinatário de valores determinados pelo pai.

Marcola
O chefão do Primeiro Comando da Capital, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Foto: Reprodução

Outro personagem central é Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da família Camacho. Segundo o promotor Lincoln Gakiya, Everton era responsável por pagamentos ligados a Marcola e Alejandro e teria indicado contas de Deolane e dos filhos de Alejandro para receber valores.

O MPSP afirma que o modelo identificado na Transunião se assemelha aos casos das empresas Transwolf e UpBus, alvos da Operação Fim da Linha em 2024. Todas são investigadas por suspeita de uso do transporte público para lavar dinheiro do PCC.

Entre os presos na Operação Última Parada, que mirou a Transunião, está o vereador Senival Moura (PT), apontado como um dos beneficiários do esquema. Ele presidia a Comissão de Transporte da Câmara Municipal de São Paulo, responsável justamente por discutir e fiscalizar políticas do setor.

Após a operação, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) determinou intervenção na Transunião, que passa a ser administrada pela SPTrans. Segundo a prefeitura, a medida busca garantir a continuidade das 50 linhas operadas pela concessionária na zona leste de São Paulo, sem paralisação do serviço, demissão de funcionários ou interrupção dos contratos.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sobrinho-de-marcola-recebeu-r-50-mil-de-empresa-de-onibus-investigada-por-lavar-dinheiro-do-pcc/