O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta sexta-feira (26) que a carta de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enviada a Marco Rubio, secretário de Estado do governo de Donald Trump, “escancara o tamanho da submissão” dele aos EUA.
“Flávio Bolsonaro enviou um ofício ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em papel timbrado do Senado Federal. Na carta, agradeceu ao governo norte-americano, atacou o próprio governo brasileiro, pediu que Washington não impusesse novas tarifas contra o Brasil e ainda afirmou estar confiante de que será eleito presidente em outubro”, iniciou Lindbergh Farias.
Em seguida, o deputado petista afirmou que, apesar do tom entreguista de Flávio, Rubio manteve a linha dura:
“A resposta de Rubio escancarou o tamanho da submissão. O secretário de Trump agradeceu a ‘oferta generosa’ de Flávio de colocar uma futura equipe de transição à disposição dos Estados Unidos, mas manteve a linha dura contra o Brasil: tarifas, investigação comercial, ataques aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, e pressão sobre setores estratégicos da economia nacional.”
Para o deputado petista, a postura de Flávio Bolsonaro “é a síntese do bolsonarismo”:
“Entrega a soberania, oferece o Pix, coloca as riquezas nacionais de minerais críticos na mesa e ainda volta de Washington sem concessão real. Enquanto Lula defende o Brasil, Flávio pede bênção aos EUA.”
https://x.com/lindberghfarias/status/2070575048545509438
Flávio Bolsonaro colocará seu governo à disposição dos EUA se for eleito, revela carta
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou, no início de junho, uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Aparentemente, o objetivo principal era pedir que o governo Donald Trump desistisse de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. Por trás disto, no entanto, há no texto uma sabujice sem precedentes, um projeto de submissão política e econômica nunca antes vistos em nenhum governo do Brasil.
No último parágrafo do texto, o filho de Jair Bolsonaro simplesmente se compromete a colocar “à disposição dos EUA” sua equipe de transição. Veja abaixo:
“Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito presidente do Brasil em outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar imediatamente minha equipe de transição à disposição de seu governo, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nações –baseado em livre mercado, respeito mútuo e na aliança estratégica que nossos povos merecem”, escreveu Flávio.
Submissão
A iniciativa foi recebida com forte reação de integrantes do governo Lula, parlamentares da esquerda e setores da diplomacia brasileira. A oferta foi classificada como incompatível com a tradição de autonomia da política externa brasileira.
Críticos argumentam que a disposição de compartilhar estruturas de transição governamental com uma potência estrangeira antes mesmo da realização das eleições representa uma quebra de protocolo institucional e uma demonstração de subordinação política aos interesses de Washington.
A resposta de Rubio
A resposta de Rubio acabou ampliando o constrangimento político para Flávio Bolsonaro. Embora tenha agradecido o apoio brasileiro à classificação das facções criminosas como organizações terroristas, o secretário reafirmou integralmente a posição da administração Trump favorável às tarifas contra o Brasil.
“O embaixador Jamieson Greer deixou claro que nós permanecemos com diferenças substanciais em relação à solução das irregularidades apontadas nesta investigação”, escreveu Rubio, ao citar divergências relacionadas ao comércio digital, aos sistemas de pagamento eletrônico — incluindo o Pix —, à propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol e ao combate ao desmatamento ilegal.
Estratégia política fracassada
A carta foi enviada após uma série de reuniões realizadas por Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, no fim de maio, quando o senador buscava projetar sua imagem internacional e fortalecer sua pré-candidatura presidencial.
A estratégia, no entanto, acabou produzindo o efeito oposto ao esperado. Dias depois da visita, o governo americano anunciou a conclusão das investigações comerciais que propõem novas sanções contra o Brasil. No mesmo dia, Donald Trump publicou uma fotografia ao lado de Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca, ampliando as acusações de interferência eleitoral e associando diretamente o senador à política de pressão econômica contra o país.
Para críticos do parlamentar, o episódio revelou uma contradição política: ao mesmo tempo em que buscava demonstrar proximidade com a Casa Branca, Flávio passou a ser cobrado por não conseguir impedir medidas que podem prejudicar exportadores e setores produtivos brasileiros.
Nem o apoio político garantiu recuo dos EUA
Apesar de elogiar o “otimismo eleitoral” do senador e agradecer sua disposição para construir uma ponte política entre Brasília e Washington, Rubio deixou claro que os Estados Unidos trabalharão com “os líderes escolhidos pelo povo brasileiro”, independentemente do resultado eleitoral.
Na resposta fica claro que, apesar da afinidade ideológica entre o bolsonarismo e o trumpismo, Washington não pretende flexibilizar sua agenda comercial em troca de alinhamentos políticos ou promessas de cooperação futura.
Na prática, a carta que pretendia afastar Flávio Bolsonaro da responsabilidade política pelo tarifaço acabou reforçando o fato. A família tentou, de fato, utilizar sua proximidade com Donald Trump para influenciar disputas internas brasileiras sem obter qualquer resultado concreto para impedir as sanções econômicas contra o país.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/flavio-rubio-trump/

