STJ manda soltar Mancha, mas ele segue preso em MG

Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como Mancha. Foto: Reprodução

Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como Mancha, continuará preso em Minas Gerais apesar de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça que autorizou sua soltura no processo em que ele é investigado por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

A Justiça de Minas Gerais chegou a determinar o cumprimento da ordem do STJ, com expedição de alvará de soltura e aplicação de medidas cautelares. Uma nova decisão judicial, assinada nesta quinta-feira (02), impediu que ele deixasse a prisão.

O juiz Roberto Oliveira Araújo Silva, do 2º Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte, decretou a prisão temporária de Douglas por 30 dias no inquérito que apura o assassinato de Paulo Roberto Ziviani Rodrigues, ocorrido em 2018.

Na decisão, o magistrado afirmou que há indícios da participação de Mancha no crime e que a prisão é necessária para a continuidade das diligências. Douglas segue detido na Penitenciária de Francisco Sá, no Norte de Minas.

STJ
Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

Investigação de homicídio barrou a soltura

O juiz citou testemunhos, documentos e outros elementos reunidos no inquérito para apontar possíveis vínculos de Douglas com suspeitos do homicídio. A decisão também menciona a necessidade de reconhecimentos, oitivas e outras diligências que poderiam ficar comprometidas caso ele fosse colocado em liberdade.

O magistrado considerou o histórico de fuga do investigado. A decisão registra que Douglas rompeu a tornozeleira eletrônica, deixou o Brasil e só foi localizado em março deste ano, na Bolívia, usando identidade falsa.

A Polícia Civil havia pedido a prisão preventiva, mas o juiz entendeu que, neste momento, a prisão temporária seria a medida adequada por estar ligada à preservação e à conclusão das investigações sobre o homicídio.

O despacho que mandou cumprir a decisão do STJ foi assinado na quarta-feira (01) pelo juiz Rodrigo Heleno Chaves, da 4ª Vara de Tóxicos, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores de Belo Horizonte. O documento previa alvará de soltura e termo de compromisso para medidas cautelares diversas da prisão.

Douglas foi preso em 15 de março de 2026, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após meses foragido da Justiça brasileira. Dois dias depois, ele desembarcou em Belo Horizonte em uma aeronave da Polícia Federal e seguiu para o sistema prisional mineiro.

O nome de Mancha integrava a lista de alvos prioritários do Programa Captura, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ele é investigado por tráfico internacional de drogas, tráfico interestadual, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

As investigações também apontam suposto envolvimento de Douglas em um esquema que resultou na apreensão de mais de 300 quilos de cocaína em Portugal, escondidos em uma carga de açaí. Antes de fugir, ele cumpria prisão domiciliar com monitoramento eletrônico e, em julho de 2024, descumpriu as condições impostas pela Justiça.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/stj-manda-soltar-mancha-asprisao-por-homicidio-mantem-suspeito-detido-em-minas/