O tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros recolocou em discussão no Planalto a Lei da Reciprocidade Econômica, após autoridades dos Estados Unidos apresentarem exigências consideradas duras por auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com informações de G1.
O governo brasileiro ouviu de representantes americanos que setores de bens industriais, químico, aeroespacial e automotivo deveriam ter tarifas zeradas para empresas dos EUA como condição para que Washington considerasse ao menos reduzir as novas taxas contra o Brasil.
A lista de pedidos também incluiu demandas apresentadas em reuniões anteriores: zerar a tarifa do etanol, não regulamentar plataformas digitais e incluir o PIX nas negociações bilaterais. A inclusão do sistema brasileiro de pagamentos ampliou a preocupação de integrantes do governo com o alcance das exigências americanas.
Uma ala do Palácio do Planalto avaliou a proposta como “indigna” de negociação e “inaceitável”. Para esses auxiliares, aceitar os pedidos de Washington causaria impacto maior à economia brasileira do que as novas tarifas, que devem atingir 18% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, conforme cálculo inicial do governo.
Disputa política e canais de negociação
A decisão americana abriu uma disputa sobre a responsabilidade pelo novo tarifaço. A oposição atribui o episódio a falhas na negociação e culpa Lula, enquanto integrantes do governo afirmam que a medida tem caráter “ideológico” e “político”. As novas taxas têm previsão de entrada em vigor em 22 de julho.

Levantamento da diplomacia brasileira aponta mais de 30 contatos desde o anúncio original das tarifas. As conversas ocorreram por telefone, videoconferência e reuniões presenciais, em níveis presidencial, ministerial e técnico.
Interlocutores do governo Lula avaliam que o Departamento de Estado americano não deve abrir espaço para avanços relevantes nas negociações ao longo do ano, em razão do calendário eleitoral brasileiro. Mesmo assim, o Planalto pretende manter o canal de diálogo com foco em reduzir prejuízos aos setores afetados.
A estratégia brasileira será conduzir os próximos passos “não deixando a emoção tomar conta” e “de olho nos atores” americanos, afirmou um negociador. Ele disse que os Estados Unidos buscam argumentos que possam ser usados contra o Brasil neste momento.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/tarifaco-de-trump-exigencias-eua-brasil-reciprocidade/

