TRE-MG quer saber se perfil que divulgou relatório falso tem relação com Nikolas Ferreira

O deputado federal, Nikolas Ferreira (PL-MG). Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) passou a apurar se um perfil que difundiu um relatório falso atribuído à Polícia Federal tem ligação com a equipe do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O desembargador Sálvio Chaves determinou que a Meta informe se há coincidência de administradores ou de dispositivos entre a conta “nikolasferreirateam” e o perfil oficial do parlamentar no Instagram.

Segundo a decisão, o perfil sob análise foi responsável pelo primeiro compartilhamento conhecido da imagem falsificada. A Meta recebeu prazo de 24 horas para informar eventual vínculo entre as contas. A empresa e o X também deverão preservar e fornecer dados cadastrais dos usuários e administradores dos perfis que divulgaram o documento, incluindo nomes, documentos de identificação, e-mails e números de telefone associados.

O relatório forjado afirmava que a PF não havia encontrado elementos suficientes para abrir investigação específica contra Nikolas Ferreira por suas conversas com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A corporação, porém, confirmou que não produziu o documento compartilhado pelo deputado. Nikolas afirmou posteriormente que apenas havia republicado material encontrado em outra conta e que não sabia que ele era falso.

O documento apareceu depois da divulgação de áudios e mensagens que expuseram contatos entre Nikolas e Vorcaro. Em uma das conversas, o deputado pede ajuda ao empresário para uma questão envolvendo um ativo minerário ligado a Thiago Rodrigues de Faria, advogado e ex-assessor do parlamentar. Na troca, Nikolas chama Vorcaro de “Dani”, diz que gostaria de ter maior proximidade com ele e encerra uma mensagem chamando o então banqueiro de “lindão”.

Nikolas Ferreira
O perfil que está sendo investigado por ligações com Nikolas Ferreira. Foto: Reprodução

A falsificação tentava atribuir à PF uma conclusão favorável ao deputado. O material dizia que “não foram identificados indícios suficientes para sugerir a abertura de inquérito específico ou adoção de medidas investigativas” contra Nikolas. A montagem mencionava a página 156 de um relatório de 218 páginas, mas o conteúdo verdadeiro daquela página era diferente e não trazia a suposta conclusão.

Rogério Correia (PT-MG) acionou a Justiça após a circulação do documento. O deputado também pediu à Polícia Federal a abertura de investigação sobre a produção e a disseminação do relatório falso. Agora, a Justiça Eleitoral tenta reconstruir a cadeia de publicação do conteúdo e determinar quem estava por trás das contas que participaram de sua difusão.

O novo procedimento ocorre depois de outras iniciativas judiciais relacionadas ao mesmo episódio. Uma ação apresentada anteriormente por parlamentares foi extinta sem análise do mérito porque não indicava o endereço eletrônico da publicação nem delimitava o período dos registros solicitados. A decisão atual, portanto, traz um fato novo: a ordem direta para obtenção de dados capazes de esclarecer se a conta que iniciou a circulação conhecida da falsificação possuía ligação técnica ou administrativa com a estrutura digital de Nikolas.

A equipe do deputado afirmou à Folha que sua defesa prepara a contestação da decisão e que Nikolas está “tranquilo” por considerar que não praticou nenhuma ilegalidade. O parlamentar foi notificado e recebeu prazo de cinco dias para apresentar sua defesa. Até agora, o TRE-MG não concluiu que o perfil investigado seja administrado pela equipe de Nikolas; é justamente essa possível ligação que a ordem dirigida à Meta pretende esclarecer.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/tre-mg-quer-saber-se-perfil-que-divulgou-relatorio-falso-tem-relacao-com-nikolas-ferreira/