Trump sofre derrota devastadora nos EUA e democratas conquistam o Congresso

Trump e Netanyahu: derrotados

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu uma derrota eleitoral devastadora. O Partido Democrata conquistou o controle do Congresso e venceu disputas estaduais em diferentes regiões do país. A chamada onda azul atingiu redutos tradicionais dos republicanos, reduziu drasticamente as vantagens eleitorais obtidas por Trump em 2024 e colocou em risco candidatos que receberam seu apoio direto.

Os democratas conquistaram pelo menos seis cadeiras do Senado anteriormente ocupadas pelos republicanos, com vitórias no Texas, Ohio, Kansas, Iowa, Carolina do Norte e Carolina do Sul. O resultado garantiu ao partido a maioria na Casa e representou um revés para a estratégia de Trump, que participou pessoalmente da escolha de candidatos e tentou transformar as eleições legislativas em uma demonstração de força de seu governo.

No Texas, estado historicamente dominado pelos republicanos, o deputado estadual democrata James Talarico derrotou Ken Paxton, procurador-geral estadual apoiado por Trump. A disputa se tornou a mais cara da história do Senado estadunidense. A vitória de Talarico encerrou um longo período de derrotas democratas nas eleições estaduais e colocou o partido em condições de disputar outros cargos importantes no estado.

Em Iowa, o democrata Josh Turek derrotou a deputada republicana Ashley Hinson na disputa pela cadeira deixada pela senadora Joni Ernst. Durante a campanha, Turek responsabilizou as tarifas comerciais de Trump e o aumento dos preços do diesel, associado à guerra contra o Irã, pelas dificuldades econômicas enfrentadas pela população. Em Ohio, o democrata Sherrod Brown conseguiu retornar ao Senado ao derrotar o republicano Jon Husted, dois anos depois de perder sua cadeira anterior.

No Kansas, o pastor Adam Hamilton venceu o senador republicano Roger Marshall, apesar da ampla preferência do estado por candidatos presidenciais conservadores. Na Carolina do Norte, o ex-governador democrata Roy Cooper derrotou Michael Whatley, ex-presidente do Comitê Nacional Republicano. Ambos os resultados ampliaram as perdas de candidatos ligados ao presidente.

Uma das derrotas mais surpreendentes ocorreu na Carolina do Sul, onde a democrata Annie Andrews venceu Darline Graham, irmã do falecido senador republicano Lindsey Graham. Trump havia escolhido Darline para ocupar temporariamente a cadeira após a morte do irmão, em julho, e posteriormente pressionou para que ela disputasse um mandato completo. A candidata enfrentou dificuldades nos debates e durante a campanha. A vitória democrata encerrou décadas de domínio republicano sobre a cadeira, ocupada pelo partido desde que Strom Thurmond mudou de legenda, em 1964.

Na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff conquistou a reeleição com uma vitória expressiva sobre Mike Collins, candidato que recebeu o apoio de Trump nas primárias republicanas. O presidente havia favorecido Collins em detrimento de uma alternativa mais moderada, apoiada pelo governador Brian Kemp. Os democratas também venceram a disputa pelo governo estadual com Keisha Lance Bottoms, ex-prefeita de Atlanta, que se tornará a primeira mulher negra a governar um estado dos Estados Unidos.

A Flórida também apresentou resultados desfavoráveis aos republicanos. Mesmo após alterações nos limites dos distritos eleitorais destinadas a favorecer o partido, os democratas mantiveram três cadeiras na Câmara dos Representantes. Kathy Castor, Jared Moskowitz e Pia Dandiya venceram em distritos redesenhados. No 9º distrito, que possui expressiva população hispânica, o democrata Darren Soto aparecia com pequena vantagem sobre seu adversário republicano.

O desempenho republicano entre eleitores latinos também sofreu uma mudança importante. No 27º distrito da Flórida, localizado no condado de Miami-Dade, a deputada republicana Maria Elvira Salazar, que havia vencido por 20 pontos percentuais em 2024, aparecia com vantagem de pouco mais de mil votos sobre o democrata Eliott Rodriguez. Durante a campanha, Salazar chegou a divulgar uma propaganda em frente à Casa Branca criticando a política migratória de Trump.

A redução da vantagem republicana em distritos de maioria latina indica uma reversão dos ganhos obtidos por Trump entre esses eleitores na eleição presidencial de 2024. O movimento também apareceu em regiões rurais do interior dos Estados Unidos, onde as margens de vitória do presidente dois anos antes diminuíram consideravelmente.

Trump tenta fugir da responsabilidade pela derrota

Enquanto os resultados eram divulgados, Trump acompanhava a apuração na Sala Leste da Casa Branca, em um ambiente tenso. O presidente permaneceu três horas sem publicar mensagens na Truth Social, sua rede social, enquanto os democratas acumulavam vitórias. Pouco depois das 22h30, ele voltou a se manifestar para tentar afastar sua responsabilidade pelo desempenho republicano.

“Eu não estava na cédula e, se estivesse, teríamos vencido DE LAVADA! Obrigado pela atenção a este assunto. Presidente DONALD J. TRUMP”, escreveu.

A declaração contrastou com a estratégia adotada pelo próprio presidente durante a campanha. Nas semanas anteriores à votação, Trump havia pedido repetidamente aos apoiadores que se comportassem como se seu nome estivesse nas urnas. Ele também participou diretamente da seleção de candidatos republicanos, incluindo alguns dos derrotados nas disputas pelo Senado.

As escolhas do presidente obrigaram o Partido Republicano a gastar milhões de dólares em estados onde inicialmente não esperava enfrentar disputas tão apertadas. Carolina do Sul, Carolina do Norte e Texas se transformaram em problemas para a direção nacional da legenda, especialmente pelo desempenho dos candidatos apoiados pela Casa Branca.

Integrantes do governo passaram a sustentar que Trump havia feito tudo o que estava ao seu alcance para preservar as maiorias republicanas. O presidente realizou uma intensa sequência de eventos eleitorais no último mês, apesar de reconhecer que a agenda havia sido desgastante. Na segunda-feira (2), durante seu último discurso de campanha, afirmou: “Nós nos esforçamos muito”, admitindo que o histórico das eleições de meio de mandato não favorecia o partido no poder.

James Talarico, senador democrata eleito no Texas

Vitória democrata abre caminho para disputa presidencial de 2028

Além da conquista do Congresso, os resultados fortaleceram possíveis candidatos democratas à Presidência em 2028. Os governadores JB Pritzker, de Illinois, e Josh Shapiro, da Pensilvânia, conquistaram a reeleição com ampla vantagem e passaram a ocupar posições de destaque nas articulações nacionais do partido.

Em seu discurso de vitória, Pritzker mencionou as especulações sobre seu futuro político. “A resposta é simples: vou pedir que vocês continuem tendo esperança, que se envolvam de esperança e coragem”, declarou. “Escalamos uma montanha esta noite, mas estamos na base de outra.”

O governador do Kentucky, Andy Beshear, também saiu fortalecido, embora não estivesse na disputa. Seu ex-assessor Zach Dembo conquistou um distrito da Câmara dos Representantes tradicionalmente favorável aos republicanos na região central do estado.

Na Geórgia, a vitória de Jon Ossoff ampliou as especulações sobre uma eventual candidatura presidencial. Embora o senador tenha negado interesse na disputa, a eleição de Keisha Lance Bottoms para o governo estadual criou uma condição política favorável: caso Ossoff deixe o Senado para concorrer à Casa Branca, uma governadora democrata poderá indicar seu substituto.

Milhões de votos ainda precisavam ser contabilizados nesta quarta-feira (4), e a dimensão definitiva das perdas republicanas permanece indefinida. Os resultados já conhecidos, porém, mostram uma rejeição eleitoral expressiva ao governo Trump e uma recuperação democrata em estados e distritos que haviam favorecido o presidente em 2024.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/trump-sofre-derrota-devastadora-nos-eua-e-democratas-conquistam-o-congresso/