Trump tentou barrar documentos de Epstein sobre sua predileção por “mamilos”, diz NY Times

Jeffrey Epstein e Donald Trump no resort do presidente americano em Palm Beach, Flórida, em 1997

Uma reportagem do New York Times Magazine, assinada pelos jornalistas Maggie Haberman e Jonathan Swan, revelou novos detalhes sobre a crise interna que tomou conta da Casa Branca diante da pressão pela divulgação dos arquivos ligados ao financista Jeffrey Epstein.

Segundo a publicação, a tradicional Sala de Situação da Casa Branca — usada em momentos de guerra, terrorismo e crises internacionais — foi transformada em uma espécie de “quartel-general” para administrar os danos políticos causados pela recusa do presidente Donald Trump em divulgar os documentos.

As revelações fazem parte do livro “Regime Change: Inside the Imperial Presidency of Donald Trump”, ainda inédito, e mostram que o tema consumiu e chegou a paralisar os mais altos escalões do governo.

Sala de Situação virou “sala de guerra” dos arquivos Epstein

Durante meses, autoridades como o vice-presidente J.D. Vance, a chefe de gabinete Susie Wiles, o diretor do FBI Kash Patel, o procurador-geral adjunto Todd Blanche e outros integrantes do governo realizaram sucessivas reuniões na Sala de Situação para discutir a crise.

O espaço, que ficou famoso por sediar as operações que culminaram na morte de Osama bin Laden, passou a ser usado para tratar exclusivamente das consequências políticas do caso Epstein.

A principal preocupação era a crescente revolta da própria base trumpista, que cobrava a divulgação integral dos documentos.

De acordo com a reportagem, Trump deixou claro aos auxiliares que não tinha qualquer interesse em divulgar materiais relacionados a Epstein.

O presidente reagia com irritação sempre que o tema era levantado e seus assessores passaram a evitar conversas sobre o assunto na sua presença.

Essa postura acabou dificultando qualquer estratégia para conter a crise, já que o presidente se recusava até mesmo a reconhecer a dimensão do problema político.

Discussão sobre documento envolvendo Trump causou desconforto

Um dos episódios relatados pelo New York Times envolve um documento que continha alegações não verificadas sobre Trump.

Segundo a reportagem, os arquivos incluíam relatos de testemunhas afirmando que Trump conhecia uma mulher ligada à rede de exploração sexual de Epstein. Outro documento mencionava uma suposta “predileção por mamilos” atribuída ao presidente.

Autoridades discutiram se esses materiais deveriam ser divulgados ao público.

Durante uma das reuniões, Vance argumentou que Trump suportaria a divulgação porque já havia enfrentado acusações muito mais graves ao longo da carreira.

Um funcionário descreveu posteriormente a situação como “surreal”, afirmando que jamais imaginou participar de uma reunião na Sala de Situação da Casa Branca para debater documentos sobre “mamilos”.

A reportagem afirma que J.D. Vance foi uma das vozes mais favoráveis à divulgação completa dos documentos.

Ele defendia que fossem liberados inclusive arquivos contendo acusações sem comprovação envolvendo Trump.

A posição do vice-presidente gerou atritos com outros integrantes do governo, que consideravam politicamente inviável tornar públicos depoimentos e anotações do FBI sem evidências confirmadas.

Bongino atacou Pam Bondi

Outro momento de forte tensão ocorreu quando Dan Bongino, ex-diretor-adjunto do FBI, confrontou a ex-procuradora-geral Pam Bondi.

Segundo o relato, Bongino perdeu a paciência e a acusou de ter conduzido o caso de forma desastrosa desde o início.

Ele criticou especialmente as declarações públicas de Bondi sobre os arquivos Epstein e as promessas feitas ao público de que os documentos seriam divulgados.

Para Bongino, a estratégia criou expectativas que o governo não conseguiu cumprir, ampliando ainda mais a revolta da base conservadora.

Entre as ideias discutidas durante a crise estava uma proposta considerada inusitada.

Segundo o New York Times, Vance sugeriu que o comentarista de extrema-direita Tucker Carlson entrevistasse na prisão Ghislaine Maxwell, ex-companheira e principal associada de Epstein.

Não há indicação de que o plano tenha avançado.

Susie Wiles via Vance como conspiracionista

A reportagem também revela divergências internas sobre o comportamento de Vance.

Segundo o jornal, alguns altos funcionários passaram a acreditar que o vice-presidente havia aderido às teorias mais radicais envolvendo Epstein, incluindo a existência de uma rede secreta de predadores protegida pelas elites políticas americanas.

De acordo com o relato, Susie Wiles comentou com outros integrantes do governo que Vance havia demonstrado ser um “grande teórico da conspiração”.

As revelações mostram que o caso Epstein provocou uma das maiores crises internas do segundo governo Trump.

Enquanto parte dos auxiliares defendia transparência total para conter a revolta dos apoiadores, o presidente insistia em encerrar o assunto e impedir novas divulgações.

O resultado foi uma paralisia política que consumiu meses da administração e transformou uma das áreas mais sensíveis da Casa Branca em um centro permanente de gerenciamento de danos.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/trump-tentou-barrar-documentos-de-epstein-sobre-sua-predilecao-por-mamilos-diz-ny-times/