Oposição a Allyson ataca Hospital Municipal de Mossoró, e secretária municipal critica politização

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O Hospital Municipal Francisca Conceição da Silva, inaugurado em janeiro deste ano pela Prefeitura de Mossoró, tornou-se pivô de uma disputa política entre aliados da governadora Fátima Bezerra (PT) e o grupo do ex-prefeito Allyson Bezerra (União).

Em meio ao cenário pré-eleitoral de 2026, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, e o pré-candidato ao Governo do Estado pelo PT, Cadu Xavier, fizeram críticas públicas à unidade, questionando sua classificação como hospital e sua capacidade de atender às demandas da população. As declarações provocaram reação da secretária municipal de Saúde, Morgana Dantas, que saiu em defesa do equipamento e acusou o governo estadual de tentar desqualificar um serviço que já beneficia milhares de mossoroenses.

A polêmica começou após Cadu Xavier visitar o equipamento durante agenda em Mossoró. Em entrevista à rádio Mix FM na segunda-feira 8, o petista afirmou que a unidade não funciona durante a noite e criticou o uso da denominação “hospital”.

“Estive lá visitando o Hospital Municipal, que o ex-prefeito diz que é um hospital. O hospital não funciona à noite”, declarou.

Na terça-feira 9, o secretário estadual Alexandre Motta divulgou um vídeo nas redes sociais ampliando os ataques ao equipamento e associando a discussão ao discurso político de Allyson Bezerra.

“Vocês já pararam para pensar por que o candidato Allyson pula tanto em todos os seus eventos? Afinal, ele não é candidato a saltimbanco, mas a governador do Estado. A razão está no jogo das aparências”, afirmou.

Segundo Motta, o Hospital Municipal Francisca Conceição da Silva seria, na prática, uma policlínica destinada a procedimentos eletivos de baixa complexidade e não um hospital capaz de desafogar a rede regional de urgência e emergência.

“A Policlínica realiza exames eletivos e também cirurgias eletivas de baixo risco em pacientes selecionados com baixo potencial de complicação. Os pacientes com maior potencial de complicação são direcionados à Apamim. Os pacientes que eventualmente complicam são direcionados ao Hospital Tarcísio Maia, como já aconteceu em dois casos”, declarou Motta.

O secretário também argumentou que a unidade não tem atendimento noturno, funcionamento nos fins de semana ou Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sustentando que o principal problema da saúde pública em Mossoró continua sendo a insuficiência de leitos de internação.

“A presença de um hospital de fato aliviaria o Tarcísio, as UPAs e a saúde como um todo sairia beneficiada. Faltou pé no chão para o prefeito candidato, quando escolheu pular o óbvio em razão das aparências, mais uma vez”, afirmou.

As críticas atingem uma das principais vitrines da gestão Allyson Bezerra. Inaugurado em 15 de janeiro, o Hospital Municipal Francisca Conceição da Silva foi criado para reduzir a fila de cirurgias eletivas e ampliar a oferta de consultas especializadas no município. A Secretaria Municipal de Saúde afirma que, até esta semana, a unidade já realizou 647 pequenas cirurgias, quase 500 cirurgias gerais e ginecológicas e aproximadamente 9 mil atendimentos entre consultas, exames e procedimentos cirúrgicos.

Entre as especialidades oferecidas estão cardiologia, endocrinologia, geriatria, pediatria, psiquiatria, ortopedia, urologia, ginecologia, mastologia, dermatologia, gastroenterologia, angiologia vascular, otorrinolaringologia e proctologia. A unidade conta ainda com centro cirúrgico equipado com três salas operatórias, áreas de recuperação anestésica, radiologia, central de esterilização, enfermarias, prontuário eletrônico, usina de oxigênio, gerador de energia e sistema de energia solar.

Resposta

A resposta da Prefeitura veio por meio da secretária Morgana Dantas, que acusou Alexandre Motta de fazer uso político do tema e classificou o vídeo do secretário como uma tentativa de desqualificar um patrimônio do município.

“O pior secretário de saúde da história do Rio Grande do Norte tem um novo hobby: atacar o hospital de Mossoró. Mas nós não vamos aceitar essa covardia”, afirmou.

Ela também rebateu as críticas sobre a capacidade da unidade e destacou o volume de procedimentos realizados desde sua inauguração.

“O Hospital Municipal de Mossoró é patrimônio da nossa terra. Está apenas cinco meses funcionando e já fazendo cirurgia desde o primeiro dia de inaugurado”, declarou, ao citar os números.

Na gravação, Morgana comparou o desempenho do hospital municipal com equipamentos administrados pelo governo estadual. Ela citou o Hospital da Mulher, em Mossoró, afirmando que a unidade permaneceu por cerca de três anos sem realizar partos.

“Diferentemente do Hospital da Mulher, por exemplo, que vocês inauguraram em 2022 e deixaram 32 meses sem fazer nenhum parto”, disse.

A secretária ainda contestou o argumento de que a ausência de UTI descaracterizaria o equipamento como hospital, lembrando que outras unidades públicas também transferem pacientes para serviços de maior complexidade.

“O Hospital da Polícia Militar atende pacientes regulados e não tem UTI. O Hospital da Mulher passou três anos sem um único parto. Pelo seu critério, esses também não são hospitais? Ou a régua só vale quando o alvo é Mossoró?”, questionou.

Morgana também afirmou que a divulgação das críticas poderia provocar insegurança em pacientes que aguardam cirurgias, classificando a estratégia como irresponsável.

“O que vocês estão tentando fazer com o Hospital Municipal é gravíssimo. Existe um paciente que pode ser encaminhado para uma cirurgia aqui e recusar com medo por causa de uma mentira que vocês espalharam. Isso coloca a vida em risco”, declarou.

Réplica

Nesta quarta-feira 10, Alexandre Motta voltou ao tema em novo vídeo, respondendo às críticas da secretária e defendendo os avanços promovidos pela gestão estadual na saúde pública.

“Na minha cabeça, a pior época da saúde no Estado foi durante o governo Robinson Faria. De lá para cá, aumentamos 10% o número de leitos de internamento e dobramos os leitos de UTI. Só em Mossoró saímos de nove para 54”, afirmou.

O secretário também informou que as cirurgias eletivas passaram de 30 mil para 95 mil por ano em todo o Estado e que a regionalização da assistência avançou em diferentes regiões.

Sobre as críticas relativas à regulação hospitalar em Mossoró, Motta atribuiu a responsabilidade ao município.

“A regulação de leitos de Mossoró é função da Prefeitura Municipal. A crítica não cabe”, afirmou.

Ele também rebateu as comparações feitas por Morgana com outras unidades estaduais, afirmando que o Hospital da Polícia Militar mantém médicos durante 24 horas e realiza procedimentos de média e alta complexidade, enquanto o Hospital da Mulher já ultrapassou a marca de 1.300 partos.

Ao final, Alexandre Motta voltou a defender que o principal gargalo da saúde regional continua sendo a falta de leitos de internação e sustentou que a estrutura inaugurada pela Prefeitura é importante, mas insuficiente para enfrentar esse problema.

“O principal problema da saúde em Mossoró é a falta de leitos de internamento. A Policlínica é importante, mas não resolve esse problema. O Estado já faz sua parte. São 406 leitos só em Mossoró. Falta Mossoró fazer”, concluiu.

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Fonte: https://agorarn.com.br/ultimas/oposicao-a-allyson-ataca-hospital-municipal-de-mossoro-e-secretaria-municipal-critica-politizacao/