13 de julho de 1924: revolta armada marcou a história de Aracaju

 

Há 102 anos, um levante militar transformou Aracaju em cenário de guerra por três semanas. Em 13 de julho de 1924, tropas rebeladas do Exército tomaram a capital sergipana, prenderam o então presidente do Estado, Graccho Cardoso, e instalaram uma Junta Governativa sob liderança de jovens oficiais. O episódio marcou a história política local e deu origem ao nome de um dos bairros mais tradicionais da cidade: 13 de Julho.

A rebelião começou ainda de madrugada, no quartel do Exército, que à época funcionava na Praça 24 de Outubro, atual General Valadão. De lá, o capitão Eurípedes Esteves de Lima e os tenentes Augusto Maynard Gomes, João Soarino de Mello e Manoel Messias de Mendonça ordenaram a ocupação de prédios públicos e a prisão das autoridades que resistiam ao levante, entre elas o comandante do 28º BC, major Jacintho Dias Ribeiro, e o presidente do Estado, Maurício Graccho Cardoso.

A insurreição em Sergipe fez parte do movimento tenentista, série de revoltas iniciadas em 1922 contra o domínio das oligarquias rurais durante a República Velha (1889-1930). Em Aracaju, os rebeldes se entrincheiraram na então Praia Formosa, onde prepararam a defesa contra possíveis forças legalistas.

Durante 21 dias, a capital viveu sob tensão. Ao fim do movimento, os militares e civis envolvidos foram presos e punidos. Apesar da derrota imediata, o tenentismo ganhou força e, anos depois, seus integrantes chegariam ao poder com a Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas.

Como reconhecimento ao levante ocorrido em território sergipano, o antigo bairro Praia Formosa teve o nome alterado para 13 de Julho por meio de ato municipal publicado em 27 de novembro de 1930. A mudança ocorreu um dia após a posse de Augusto Maynard como interventor federal em Sergipe, cargo que ocupou até 1935.

Ao longo das décadas seguintes, o bairro passou por profundas transformações. De área ribeirinha habitada por pescadores e veranistas, com ruas de areia e casas de palha, tornou-se uma das regiões mais valorizadas da capital. Ainda nos anos 1930, chegaram a energia elétrica, as primeiras vias estruturadas e o acesso facilitado por bondes.

Outros episódios históricos também marcaram a região, como a chegada, em 1942, de sobreviventes dos navios torpedeados por submarinos alemães na costa sergipana durante a Segunda Guerra Mundial — tragédia que deixou cerca de 500 mortos e contribuiu para a entrada do Brasil no conflito.

Hoje, o bairro 13 de Julho é conhecido como um dos principais cartões-postais de Aracaju. Apesar das mudanças urbanas e ambientais ao longo do tempo, a área mantém sua relevância histórica, sendo lembrada não apenas pelo lazer e pela paisagem, mas também pelo papel decisivo que desempenhou em um dos capítulos mais marcantes da história política de Sergipe.

*Com informações AAN

Fonte: https://ajn1.com.br/13-de-julho-de-1924-revolta-armada-marcou-a-historia-de-aracaju/