O caso da enfermeira Clarissa Gomes, morta pelo namorado há oito meses em Fortaleza, se soma a uma série de outros feminicídios registrados no estado do Ceará ao longo do último ano. Nos últimos cinco anos, o estado registrou um crescimento de 49,3% nesse tipo de crime, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. As estatísticas revelam ainda que mais da metade das vítimas foi assassinada pelos próprios companheiros.
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Família de Clarissa busca lidar com a perda
No caso de Clarissa Gomes, a família agora aguarda agora o andamento do processo judicial e a definição sobre o julgamento do acusado. Ela tinha 31 anos e foi assassinada dentro de casa, no bairro Jardim Cearense, no dia 9 de julho. De acordo com a investigação, o crime foi cometido pelo ex-namorado, Matheus Antony, que não aceitava o fim do relacionamento. A vítima foi atingida com 34 facadas.
A advogada Nathalie Capistrano, prima da enfermeira, diz que a família tenta lidar com a perda enquanto aguarda uma resposta da Justiça. “Esses oito meses, o que não sai da minha cabeça é que ela sofreu tudo que ela sofreu sozinha, sentindo dor. Porque ela trabalhava numa profissão que ela salvava tantas vidas, ajudava a salvar tantas vidas e a gente não conseguiu salvar a vida dela. Ninguém conseguiu ajudar ela. Ela não soube pedir ajuda”, afirma.
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Enfermeira morta pelo namorado em Fortaleza: processo aguarda alegações finais da defesa
Segundo o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), o processo está atualmente na fase de alegações finais da defesa. Depois dessa etapa, a Justiça deve decidir se o acusado será levado a júri popular.
O advogado da família, Isaac Xavier, explica que as etapas de produção de provas já foram concluídas.
“Todas as provas já foram colhidas, já tivemos as audiências de instituição e todas foram concluídas. E nós estamos naquela fase das alegações finais, nas fases de diligência, para que a vara do júri possa designar a data para julgamento já pelo plenário do júri. É um feminicídio terrível. Nós estamos completando 10 anos da edição da Lei do Feminicídio e este caso específico da Clarissa é um brutal e covarde feminicídio praticado por alguém que não teve o menor valor, a menor empatia pela vida humana”, pontua o advogado.
A família afirma que espera que o responsável seja condenado pelo crime.
“A gente está esperando que tenha o julgamento e que ele seja condenado. Eu não vou falar em justiça, porque a vida da Clarissa se foi, a nossa família está totalmente desestruturada. E o que a gente espera é que ele realmente seja condenado e que ele cumpra, que a gente não quer uma sentença para botar num quadro, que ele cumpra. Ele foi um feminicida, ele esfaqueou ela 34 vezes, fora os machucados na cabeça, então a gente quer que ele seja condenado, é isso que a gente espera, que a justiça dos homens seja cumprida e que ele realmente cumpra a condenação”, diz Nathalie Capistrano.
Lei do Feminicídio e aumento nos casos
Neste mês, foram completados 11 anos da criação da lei que tipifica o feminicídio no Brasil – alteração no Código Penal que passou a classificar como feminicídio o assassinato de mulheres por razões de gênero, incluindo casos de violência doméstica, menosprezo ou discriminação.
Apesar da legislação, os números continuam altos. Entre 2021 e 2024, 59,4% dos feminicídios no Brasil foram cometidos por companheiros das vítimas e 21,3% por ex-companheiros. Outros 10,2% dos casos envolvem familiares. Isso significa que, a cada dez feminicídios, oito são praticados por homens que mantinham ou já tiveram vínculo afetivo com as vítimas.
A nota técnica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública também aponta que 66% desses assassinatos acontecem dentro da residência da vítima, o que reforça o contexto de violência doméstica em grande parte dos casos.
Para as famílias que perderam mulheres vítimas desse tipo de crime, restam o luto e a ausência em momentos importantes. Nathalie relata que, além da dor da perda, há também a dificuldade de explicar a situação para uma criança da família. “Eu não consigo ainda falar com ele, eu não consigo ainda, mas recentemente foi o aniversário dele e aí é uma situação muito difícil explicar para uma criança entre 4 e 5 anos que ela não vai voltar. É muito complicado, é muito difícil. A gente… Nem a gente tá preparado, adulto, imagina uma criança.”
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Fonte: https://gcmais.com.br/noticias/2026/03/11/familia-aguarda-processo-na-justica-apos-enfermeira-ser-morta-pelo-namorado-em-fortaleza/

