Moradores denunciam falta de manutenção e sinais de abandono em passarelas de Fortaleza

Passarelas instaladas ao longo de Fortaleza e Região Metropolitana apresentam sinais de desgaste, falta de manutenção e problemas estruturais que comprometem a segurança dos pedestres. A situação foi constatada após a verificação de diferentes equipamentos localizados em trechos da BR-116, na Avenida Washington Soares e também na Região Metropolitana.

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Moradores demonstram apreensão

Na BR-116, no bairro Aerolândia, uma das passarelas apresenta estrutura de concreto em bom estado, mas com partes metálicas enferrujadas. A ausência de iluminação tem sido apontada como um dos principais problemas, tornando o local inseguro durante a noite. A forneira industrial Priscila Brito relatou a dificuldade enfrentada por quem precisa utilizar o equipamento fora do horário diurno.

“Esse horário é bom para a gente subir e passar, tudo bem que está tudo claro, tem movimento de pessoas. Só que a partir de seis horas da tarde, essa passarela é muito escura. Além dela ser muito escura, tem muita árvore ao redor, ninguém consegue ver nada. E atrapalha a visão de quem passa embaixo que tiver acontecendo um assalto aqui em cima, ninguém vê. Outra coisa, eles colocaram os LEDs nessa passarela, mas o que aconteceu? Os marginais arrancaram os LEDs, né? E ficou por isso”, afirmou.

Apesar das dificuldades, há quem continue utilizando a passarela por considerá-la mais segura do que atravessar a rodovia. A doméstica Maria Neta afirmou que utiliza o equipamento diariamente para se deslocar ao trabalho. “Passo tranquilo, nunca teve nada comigo, graças a Deus. Bem tranquilo. Só às vezes que tem esses motoqueiros chatos, né, mas o resto pra mim tá ótimo. Todo dia eu passo pra ir pegar ônibus lá do lado de lá pra ir trabalhar, que eu trabalho no Jardim das Oliveiras e moro aqui na Aerolândia”, disse.

No bairro Cajazeiras, uma passarela provisória chama atenção pelas condições estruturais. Feita de metal, com piso de madeira coberto por lona de borracha, o equipamento apresenta falhas na rede de proteção, que cobre apenas parte do trajeto. Em alguns pontos, há rasgos na tela, aumentando o risco para usuários, principalmente crianças e idosos.

A aposentada Laura Meireles destacou a insegurança ao utilizar o local:

“Eu não tenho medo de altura, mas muitas senhoras têm muito medo, porque acham que vai cair, porque vai balançar. Isso eu já acostumei, porque tem muito chão. Mas é cruel. Às vezes eles vêm fazer manutenção, mas essas telas são rasgadas. Então assim, com criança você tem que agarrar na mão, porque se soltar é muito, muito arriscado, muito perigoso”, relatou ela.

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Passarelas são importantes para evitar acidentes em Fortaleza

Mesmo com as falhas, moradores defendem a importância das passarelas para evitar acidentes. O operador de máquinas Agnaldo Matias afirmou que, apesar das condições, o equipamento ainda é necessário. “Não está muito boa, mas é essencial. Quem tiver medo do trânsito, é melhor usar a passarela”, avaliou.

Outras estruturas ao longo da BR-116, em bairros como Barroso e Jangurussu, apresentam problemas semelhantes. Em Messejana, a situação é considerada mais crítica, com passarela sem rampas, apenas escadas, e com tábuas danificadas. Diante das condições, alguns pedestres preferem se arriscar atravessando a rodovia entre os veículos.

As passarelas da BR-116 são de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e foram instaladas em 2013, por determinação judicial, com caráter provisório. No entanto, mais de uma década depois, ainda continuam em uso.

Na Região Metropolitana, em Itaitinga, uma passarela também apresenta sinais de desgaste, como ferrugem nas estruturas metálicas e falta de iluminação. Apesar disso, o equipamento oferece opções de travessia por escada e rampa. O percurso completo pela rampa foi realizado em três minutos e 58 segundos, tempo considerado suficiente para garantir uma travessia segura. O auxiliar administrativo Rian Bessa destacou que muitos pedestres evitam o uso por considerarem demorado, mas reforçou a importância da estrutura. “A maioria das pessoas que eu vejo sempre passa lá. Aqui eles não querem porque demora mais. Prefiro a passarela porque é mais segura”, disse.

Passarelas na Avenida Washington Soares, em Fortaleza

Já na Avenida Washington Soares, em Fortaleza, as passarelas são estruturas definitivas de concreto, mas também apresentam problemas. Em um dos equipamentos, próximo a uma universidade particular, grades de proteção estão deterioradas e, em alguns pontos, foram arrancadas. Guarda-corpos enferrujados e com fixação comprometida chegam a balançar, levando à instalação de cones para alertar pedestres.

Em outra passarela, nas proximidades do cruzamento com a Avenida Edilson Brasil Soares, intervenções estruturais foram realizadas para reforçar as escadas. Já um terceiro equipamento, nas imediações do Fórum Clóvis Beviláqua, apresenta melhores condições, embora haja risco devido à copa de árvores próximas à estrutura.

Mesmo com sinalizações orientando o uso das passarelas, parte da população ainda opta por atravessar as vias diretamente. A usuária identificada como Lívia afirmou que, em alguns casos, prefere passar por baixo da estrutura por ser mais rápido. “Às vezes eu passo por aqui, por baixo, porque é mais rápido. Só porque é mais rápido”, disse. Ela também destacou que nem todas as passarelas transmitem segurança. “As outras não, nem todas são seguras. Em estrutura e segurança mesmo”, completou, acrescentando que, em determinadas situações, acaba se arriscando entre os veículos por falta de alternativas.

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Fonte: https://gcmais.com.br/noticias/2026/03/26/moradores-denunciam-falta-de-manutencao-e-sinais-de-abandono-em-passarelas-de-fortaleza/