O consumo de açaí segue, mesmo com a redução no fluxo de clientes durante o mês de julho, mantendo os pontos de comercialização abertos à noite. As estratégias para atrair o público variam, já que a concorrência é grande.
Segundo os vendedores, o período de férias escolares impacta diretamente o volume de vendas. “Deu uma caída, sim. Eu acredito que por ser julho, muita gente viaja, principalmente nos fins de semana, que é quando a gente sente mais. É uma junção de fatores”, afirma a vendedora Nira Souza. Apesar da redução, ela destaca que o cenário deste ano é melhor em comparação com anos anteriores.

“Mesmo com o preço caindo de R$ 26 para R$ 16, a gente ainda não voltou a vender como antes. Mas, pra julho, tá bom”, completa. A expectativa do setor é de retomada a partir de agosto, com o fim das férias e o retorno da rotina escolar. “A partir de agosto melhora, porque voltam às aulas e a vida normal”, reforça.
Venda noturna e açaí batido na hora
No Jurunas, a venda noturna se destaca como diferencial. O movimento ganha força principalmente quando o açaí é batido na hora, prática valorizada pelos consumidores. “Quando a gente começa a bater o açaí, o barulho da máquina chama os clientes. Tem gente que só compra se vê sendo feito”, explica a vendedora Ana Beatriz Aragão. Segundo ela, o produto exige rapidez no manuseio. “Depois de batido, tem que colocar logo no gelo, porque ele pode azedar”, diz.


A tradição de consumir açaí como refeição principal também contribui para o movimento à noite. A batedora Nena Gemaque, conhecida como “Nena do Açaí”, trabalha há mais de duas décadas na atividade e aposta na produção fresca como estratégia. “Aqui não é lanche, é jantar mesmo. Eu bato na hora, conforme vai saindo, e isso faz diferença. Muita gente vende gelado, mas o nosso é fresco”, afirma. Segundo ela, a média diária gira em torno de 25 litros vendidos.
Preço e consumo diário
Para os consumidores, o preço ainda é fator decisivo. O autônomo Anderson Navegantes, de 47 anos, relata que o alimento é indispensável na mesa da família, mas pesa no orçamento quando há aumento. “Já teve época de chegar a R$ 30, até R$ 40. Agora melhorou um pouco. Lá em casa, todo mundo gosta, principalmente as crianças. A gente come com peixe, arroz, feijão, faz parte do dia a dia. É no almoço e na janta”, conta.
Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/acai-de-noite-em-belem-tradicao-transforma-o-fruto-em-jantar/

