Hélio Gueiros: o ex-governador do Pará que era “tarado pela Doca”

Humor afiado, histórias curiosas e uma personalidade que dificilmente passava despercebida. Hélio Mota Gueiros construiu uma trajetória que ultrapassou os gabinetes e os cargos públicos. Ex-governador do Pará e ex-prefeito de Belém, ele também ficou marcado pelo apelido de “Papudinho”, pelas respostas bem-humoradas e pela relação quase apaixonada com a avenida Visconde de Souza Franco, a conhecida Doca.

Nascido em Fortaleza (CE), em 12 de dezembro de 1925, Hélio Gueiros chegou ainda menino a Belém, acompanhando o pai, Antônio Teixeira Gueiros, pastor presbiteriano que havia sido chamado para organizar a igreja no Pará. Foi na capital paraense que a família conheceu Magalhães Barata, figura central na trajetória política de Gueiros.

Antes de entrar de vez na política, ele chegou a seguir o caminho do Direito. Depois de estudar em Fortaleza, voltou para Belém e acabou sendo chamado por Barata para trabalhar como promotor em Santarém. A princípio, a proposta não o agradou, mas o pai o convenceu a aceitar.

A política acabou levando Gueiros a diferentes cargos. Foi deputado estadual, deputado federal e senador, além de governador do Pará entre 1987 e 1990.

Um prefeito que deixou sua marca

Em 1992, Hélio Gueiros entrou para a história eleitoral de Belém ao ser eleito prefeito ainda no primeiro turno, com 225.177 votos, correspondentes a 51,05% dos votos válidos. Até hoje, o feito permanece como o único caso de um candidato eleito para comandar a capital paraense no primeiro turno desde a adoção do sistema de segundo turno.

Na prefeitura, entre 1993 e 1997, uma das áreas que mais recebeu atenção foi a avenida Visconde de Souza Franco. A Doca passou por um processo de reurbanização e modernização durante sua administração e se tornou um dos símbolos daquele período. Empolgado e sem papas na língua, chegou a dizer que era “tarado pela Doca”.

O governo também esteve ligado a iniciativas como a criação da Escola Bosque, a implantação do Museu de Arte de Belém e intervenções no Palácio Antônio Lemos e no Bosque Rodrigues Alves, importantes patrimônios históricos de Belém.

Hélio Gueiros: o “Papudinho” que tinha uma queda pela Doca. Foto: Reprodução / Redes sociais

Da política para as páginas do DIÁRIO

Depois de deixar os principais cargos políticos, Gueiros também encontrou espaço na imprensa. Jornalista, advogado e escritor, passou a escrever para o DIÁRIO, onde manteve uma coluna política publicada aos domingos.

Mesmo longe dos cargos públicos, a máquina de escrever continuou sendo uma companheira. Gueiros costumava receber as visitas em seu escritório e permanecia atrás do equipamento, usado para produzir suas crônicas e textos.

Quando deixava a escrita de lado, as conversas poderiam durar horas, sempre acompanhadas de histórias e episódios da própria trajetória.

O “Papudinho” que não perdia a piada

A irreverência era uma das características mais conhecidas de Hélio Gueiros. O apelido “Papudinho” acabou incorporado à imagem pública do político, associado ao seu gosto pela bebida e ao jeito descontraído de lidar com situações que, para outros políticos, poderiam render respostas mais formais.

As tiradas também faziam parte do repertório. Quando professores ameaçaram entrar em greve, por exemplo, Gueiros respondeu de maneira curta e bem-humorada: “eu choro”.

Fonte: https://diariodopara.com.br/cotidiano/helio-gueiros-relembre-o-papudinho-que-mandava-na-politica-e-era-tarado-pela-doca/