Belém prepara revitalização inédita no Centro Histórico

Belém acelera um dos projetos urbanos mais ambiciosos ligados ao legado da COP30, realizada em novembro de 2025 na capital paraense. Com apoio técnico da C40 Cities e do Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia, GCoM, a cidade avança na revitalização do Centro Histórico por meio do projeto Belo Centro, iniciativa que pretende mudar a circulação urbana, ampliar a acessibilidade e fortalecer a adaptação climática da cidade.

A proposta integra o Programa Mutirão Brasil e coloca a região central de Belém no centro das discussões sobre mobilidade sustentável, preservação do patrimônio e qualidade de vida. Nesta semana, representantes da Prefeitura, especialistas nacionais e organizações internacionais participaram de uma agenda técnica para discutir os próximos passos do projeto, além de estratégias de execução e financiamento.

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Belém prepara virada no Centro Histórico com mobilidade, patrimônio e parceria internacional. Foto: Mauro Ângelo/ Diário do Pará.

O plano concentra a primeira etapa na recuperação e requalificação do centro da cidade. A proposta prioriza o pedestre e reduz a dependência do carro dentro do perímetro histórico. Além disso, o projeto mira problemas antigos da capital, como alagamentos urbanos e ilhas de calor, ao mesmo tempo em que busca valorizar a economia criativa e impulsionar o turismo local.

Entre as principais mudanças previstas está o desvio do tráfego pesado para vias externas do perímetro histórico. Com isso, ruas internas do centro devem virar calçadões ou áreas de tráfego calmo. A medida busca tornar a circulação mais segura e confortável para moradores, trabalhadores e visitantes.

Revitalização do Centro Histórico e adaptação climática

Uma das intervenções consideradas estratégicas é a criação da chamada “Zona 30 km” na Cidade Velha. O perímetro de baixa velocidade pretende reduzir emissões de poluentes, aumentar a segurança viária e estimular a circulação de pessoas a pé. A proposta também reforça o caráter turístico e histórico da área.

O projeto prevê mudanças estruturais em diferentes pontos do centro. Na Rua Gaspar Vianna, a chamada Rota Acessível deve ampliar calçadas e instalar faixas lisas de concreto voltadas a cadeirantes, além de incluir piso tátil e faixas elevadas para pedestres. O plano também prevê retirar o asfalto para recompor as pedras coloniais originais e instalar grelhas modernas de drenagem para reduzir o acúmulo de água da chuva.

Outra frente importante envolve a Rua Siqueira Mendes, considerada a primeira rua de Belém. O local deve se transformar em um corredor preferencial para pedestres, mantendo o pavimento histórico em pedras e ganhando acessibilidade plena.

Infraestrutura e acessibilidade: Ruas Gaspar Vianna e Siqueira Mendes

Rua Siqueira Mendes com a Travessa Joaquim Távora. Foto: divulgação/reprodução

Novas áreas para pedestres e conforto térmico

Além da mobilidade, o Belo Centro incorpora medidas voltadas ao conforto térmico. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente prepara um plano de arborização urbana para enfrentar o avanço das temperaturas no centro histórico. O bairro da Campina aparece como prioridade após estudos técnicos apontarem a região como uma das mais vulneráveis pela escassez de vegetação e pela concentração de superfícies que acumulam calor.

Programa Mutirão Brasil e o legado da COP30

O projeto faz parte do Programa Mutirão Brasil, iniciativa liderada pela C40 Cities e pelo GCoM para apoiar cidades brasileiras no desenvolvimento de projetos urbanos ligados à ação climática e infraestrutura sustentável. Atualmente, o programa reúne mais de 50 cidades brasileiras e trabalha em áreas como mobilidade urbana, resíduos sólidos, planejamento climático, acesso a dados e financiamento climático.

O programa conta com apoio institucional do Ministério das Cidades e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, além de integrar a agenda climática associada à COP30. A proposta busca transformar metas ambientais em projetos concretos, capazes de atrair investimentos públicos e privados e acelerar mudanças estruturais nos municípios.

Para os organizadores, a experiência de Belém pode se tornar uma referência de governança climática urbana e cooperação entre governos locais, instituições internacionais e parceiros estratégicos. Com isso, a capital paraense tenta transformar os preparativos da COP30 em um legado permanente para o Centro Histórico e para a população.

Belo Centro avança em Belém com foco na COP30 e transformação urbana ganha novos detalhes. Foto: divulgação

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/projeto-ligado-a-cop30-promete-nova-dinamica-no-centro-historico-de-belem/