Pupunha volta a ter fartura nas feiras e reforça tradição no Pará

Ainda estamos no período da safra da pupunha, que neste ano sofreu atraso e começou por volta do mês de março. Por conta disso, a fruta chegou mais cara aos vendedores, mesmo com uma safra considerada melhor em comparação à de 2025. Atualmente, o cenário nas feiras é de grande oferta da pupunha, tanto cozida quanto crua, quando comparada com a redução da oferta no início da safra.

O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), Everson Costa, destaca que a pupunha movimenta a economia local, além de estar ligada à agricultura familiar e a costumes típicos da região, como o hábito de tomar café com pupunha. Segundo ele, a safra de 2026 sofreu atraso devido ao prolongamento do período chuvoso, o que interferiu na produção e na distribuição da fruta neste ano.

Conforme levantamento do Dieese/PA realizado em supermercados e feiras, o quilo da pupunha em feiras livres custava, em média, R$ 20,15 no mês de abril, um leve aumento de 1,26% em relação a março, quando o preço médio era de R$ 19,90. Na comparação anual, em abril de 2025, o quilo da fruta custava, em média, R$ 14,17 na capital paraense, o que representa alta de 42,2% em 12 meses.

“Não é o tempo todo que temos o fruto disponível. A forma de comercialização também varia entre feiras e supermercados, além da venda nas esquinas, onde o produto já é comercializado pronto para consumo. Essa safra tem influência direta no preço. O aumento observado nos últimos 12 meses mostra que as chuvas afetaram a produção e a distribuição. Mais recentemente, o aumento dos combustíveis também impactou o frete, fazendo com que a pupunha chegasse mais cara às feiras e supermercados”, explica.

Pupunha em Belém: oferta e preço

Nas feiras de Belém, a pupunha tem sido bastante procurada pelos consumidores, o que garante boas vendas aos feirantes. Na Feira da 25, localizada no bairro do Marco, o feirante Alex Gonçalves, 23, afirma que, independentemente do preço, os clientes procuram a fruta diariamente. Ele explica que tanto a versão cozida, vendida a R$ 40 o quilo, quanto a crua, comercializada a R$ 30 o quilo, têm boa saída, mas a primeira é a preferida da clientela. “Muita gente compra pela praticidade, querendo levar e consumir logo em casa”, destaca.

Apesar do aumento registrado pelo Dieese/PA, Gonçalves acrescenta que o atraso da safra fez os preços começarem mais altos, mas que, com o aumento da produção, os valores ficaram melhores. “Não importa a hora, sempre tem cliente comprando a pupunha crua ou cozida. É um produto que tem muita fidelidade do público, porque há pessoas que compram todos os dias”, salienta.

Em outro ponto da capital paraense, na Feira da Pedreira, Marcos Trindade, 51, comenta que a safra da pupunha demorou a começar neste ano, mas chegou em abundância. Segundo ele, a clientela compra rapidamente a mercadoria. O feirante afirma vender até 100 quilos de pupunha em três dias, volume que considera positivo para o período da safra. Trindade comercializa tanto a versão crua, com preços entre R$ 15 e R$ 20 o quilo, quanto a cozida, vendida entre R$ 25 e R$ 30 o quilo.

“Aqui comigo a pupunha crua é a que o povo mais compra”, afirma. Ele acrescenta que há clientes que gostam tanto da fruta que chegam a levar um cacho inteiro, que pode pesar até cinco quilos. “Quando chega a época dela, o povo vem mesmo comprar e acaba rápido”, reforça.

Fonte: https://diariodopara.com.br/belem/pupunha-volta-a-ter-fartura-nas-feiras-e-reforca-tradicao-no-para/