O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que secretários, assessores e outros ocupantes de cargos comissionados da administração municipal poderão ser exonerados caso participem de atos políticos em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou ao Partido dos Trabalhadores. A declaração foi feita na sexta-feira (28), durante um evento realizado no Parque das Águas, na capital mato-grossense.
Ao comentar a participação de integrantes do poder público em manifestações políticas, Brunini afirmou que os ocupantes de funções comissionadas exercem cargos de confiança e, por isso, não pretende manter na administração pessoas que manifestem publicamente apoio ao PT. “Se alguém na minha gestão estiver vestindo a camisa vermelha, ou do PT, ou do Lula, não sei o quê, pede pra sair porque é cargo de confiança”, declarou o prefeito.
O prefeito reforçou o posicionamento ao mencionar especificamente secretários, assessores e servidores comissionados. Segundo ele, a participação desses integrantes da administração em atos ou manifestações organizadas pelo PT seria incompatível com a relação de confiança necessária para a permanência nos cargos. “Secretário é cargo de confiança. Assessor comissionado é cargo de confiança. Se tiver na minha gestão participando de atos do PT, manifestação do PT, vai sair da minha gestão”, afirmou.
A declaração ocorreu após repercussão envolvendo Maria Fernanda de Figueiredo, secretária de Educação de Várzea Grande, município da região metropolitana de Cuiabá. A gestora apareceu usando um boné do PT durante um evento político, episódio que foi citado por Brunini ao defender que ocupantes de cargos de confiança não deveriam participar de manifestações públicas em apoio a grupos políticos adversários à administração da qual fazem parte.
Durante sua fala, Brunini também comparou a situação com uma eventual reação do presidente Lula caso integrantes de seu governo demonstrassem apoio público a adversários políticos. “Eu pretendo agir como Lula agiria. Se o Lula ia mandar embora, eu vou mandar embora”, disse.
A fala provocou críticas e repercussão nas redes sociais. A declaração é classificada como uma possível forma de assédio político institucional, ao apontar que o uso da estrutura da administração pública para pressionar trabalhadores em razão de posicionamentos partidários pode levantar questionamentos relacionados à liberdade de expressão e aos princípios que regem a administração pública.
Fonte: https://horadopovo.com.br/prefeito-bolsonarista-de-cuiaba-ameaca-exonerar-quem-apoiar-lula/

