“A próxima onda fará desta próxima década a mais produtiva da história.” Esta afirmação do CEO da Microsoft AI e autor de The Coming Wave, Mustafa Suleyman, sugere que entramos em uma era em que as organizações deixam de depender apenas da adoção da inteligência artificial (IA), mas da capacidade que construímos para governá-la com confiança. O uso de IA passa a exigir que as organizações expliquem como tomam decisões, estabelecem limites e por que sustentam o nível de acesso que demandam dados, decisões e vida das pessoas.
É a confiança, não mais apenas o domínio da IA, que está em disputa. E esse tema já ocupa o centro das discussões nos conselhos das organizações e nos fóruns de alta gestão. A tecnologia é capaz de ampliar o potencial humano e a produtividade ao mesmo tempo em que levanta dúvidas sobre transparência, governança e responsabilidade. A dinâmica é muito sutil, já que a erosão da confiança, muitas vezes, precede o erro visível.
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A pressão por eficiência cria o atalho tentador de priorizar velocidade de adoção antes da estrutura que garante a qualidade, uma escolha que rende ganhos visíveis no curto prazo e alguns custos invisíveis depois. Quando o problema surge (uma decisão algorítmica enviesada ou ainda um processo automatizado que ninguém na empresa consegue explicar), os impactos ultrapassam a dimensão operacional e chegam rapidamente à reputação, ao conselho e ao valor de mercado. A situação se complica porque as organizações operam cada vez mais com modelos de terceiros sobre os quais não têm controle direto.
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Responsabilidade não se terceiriza com tecnologia
Quem leva a solução ao mercado responde pelos seus efeitos, ainda que não tenha sido quem a construiu. No Brasil, isso ganha peso adicional com o marco regulatório de IA em tramitação, que prevê sanções relevantes e amplia o alcance da responsabilização. Mas o movimento não é apenas regulatório; o mercado já faz essa leitura e sabe precificar a confiança.
Um único passo em falso em temas como segurança em IA, privacidade de dados, transparência e impactos das mudanças climáticas pode desencadear uma sequência de alertas entre os stakeholders, com consequências prejudiciais à confiança e à geração de valor. Esse não é mais um atributo reputacional, é um vetor de valor.
Foi o que mostrou a nossa última edição da Global CEO Survey 2026, que ouviu quase 5 mil líderes em 95 países, incluindo o Brasil: dois terços dos CEOs globais relatam que suas empresas enfrentaram alguma questão de confiança no último ano.
A confiança institucional se constrói por acumulação. Quem se estrutura agora está construindo algo que os concorrentes não conseguem replicar no curto prazo. As empresas que adiam esse movimento podem estar acumulando um passivo que, quando vier à tona, vai custar muito mais do que teria custado a estrutura.
O futuro da competição corporativa não será definido apenas por quem adota mais rápido a tecnologia, mas por quem consegue sustentar confiança no seu uso. Afinal, o sucesso da próxima onda tecnológica nessa era da IA, como bem disse Suleyman, dependerá menos da capacidade dos algoritmos e mais da capacidade de ser confiável.
Fonte: https://itforum.com.br/artigos/confianca-ativo-competitivo-era-ia/

