A inteligência artificial está reformulando o papel dos líderes de segurança cibernética nas grandes empresas, elevando a pressão sobre os diretores de segurança da informação e transformando o cargo em uma das posições mais disputadas do mercado corporativo.
A reportagem é da CNBC. O ataque de julho, quando agentes autônomos do OpenAI invadiram a plataforma de desenvolvimento de código aberto Hugging Face, acelerou essa mudança e comprovou que a era dos ataques cibernéticos conduzidos por inteligência artificial havia chegado. Nas semanas seguintes, a lista de ofensivas lideradas por agentes de IA se expandiu. Nessa sexta-feira (4), a Reuters divulgou que outro grupo de agentes do OpenAI quebrou o isolamento de segurança em maio e assumiu o controle de um site alemão.
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“Parece que meu trabalho dobrou ou quadruplicou”, diz Wally Dalrymple, diretor de segurança da ETS (Educational Testing Service). “Está chegando tão rápido e em volumes tão grandes.”
A escalada das ameaças de IA
O OpenAI pausou parte de suas pesquisas e treinamentos de inteligência artificial após o ataque à Hugging Face, mas os incidentes de segurança não interromperam o lançamento de novos produtos. A empresa anunciou, nesta semana, o lançamento do seu modelo GPT-6 Astra, apesar de ter alertado anteriormente sobre capacidades cibernéticas classificadas como “críticas”.
O ritmo de lançamentos de modelos com funcionalidades especializadas em segurança cibernética também não desacelerou. O Google estreou o Gemini 3.8 Flash Cyber e a Anthropic lançou os modelos Fable 5.1 e Mythos 5.1 na mesma semana.
“O chão sob nossos pés está se movendo”, diz John Scimone, diretor de segurança da Dell. “Está mudando completamente as variáveis e as premissas seguras nas quais pudemos nos apoiar por décadas.”
Mercado aquecido para os diretores de segurança da informação
Há um lado positivo em meio ao estresse crescente: o mercado de contratação está em ebulição para diretores de segurança da informação (CISO) com competências técnicas para enfrentar o mundo da inteligência artificial.
Candidatos qualificados estão fechando pacotes salariais que superam sete dígitos, mas os recrutadores precisam agir rápido, afirma Michael Piacente, sócio-gerente e cofundador da firma de recrutamento executivo em segurança cibernética Hitch Partners. Segundo ele, a equipe trabalha entre 18 e vinte horas por dia e ainda perde, em média, um candidato por semana para ofertas concorrentes. Para Piacente, a dinâmica não tem precedente desde a chegada da cloud computing.
“Foi mais uma deriva lenta”, diz. “Não era tudo, de uma vez, junto, como está sendo com a IA.”
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Por anos, as empresas valorizavam nos CISOs a experiência profunda em segurança cibernética e em conformidade regulatória. Na era da IA, essas qualificações se tornaram requisito mínimo.
“Muitos CISOs que conseguiam cumprir os requisitos há alguns anos provavelmente não estarão preparados para o mundo em que vivemos hoje”, afirma JC Christian, presidente da firma de recrutamento executivo Christian & Timbers.
Acesso direto ao CEO
A proliferação da IA também está reorganizando as estruturas corporativas. Muitos CISOs passaram a se reportar diretamente ao diretor-executivo (CEO), em vez de ao diretor de tecnologia da informação (CIO), diz Meredith Griffanti, diretora global de comunicações em segurança cibernética e privacidade de dados da FTI Consulting.
O analista do Barclays, Saket Kalia, relatou à CNBC, nesta semana, ter ouvido de um CISO que passou de uma reunião por mês com o CEO para três encontros semanais.
CISOs com experiência em gestão de crises, visão de negócios e capacidade de se apresentar em conferências do setor como a Black Hat são “valiosos como ouro”, diz Griffanti.
Orçamentos e pressão por resultados
A pressão sobre os CISOs para implantar defesas de IA rapidamente é intensa, mas os orçamentos e as ferramentas disponíveis nem sempre acompanham a urgência. Os investimentos em segurança cibernética devem crescer 6% em 2026, impulsionados principalmente por novas ferramentas para proteger e implementar IA, segundo dados da Gartner. Em algumas regiões, o crescimento é mais expressivo; no Oriente Médio e na África, o aumento deve chegar a 16% na comparação anual, de acordo com Craig Robinson, analista da IDC.
Setores críticos como finanças, farmacêutico, energia e saúde correm para reforçar suas defesas antes que os atacantes adotem as ferramentas de IA mais recentes.
“Algumas equipes de segurança estão tão sobrecarregadas que não sabem por onde começar”, diz Joe Sullivan, ex-CISO do Uber e do Facebook, que hoje dirige uma consultoria de segurança cibernética. Segundo Sullivan, parte dos produtos de segurança “ainda não está pronta para uso em produção” porque a tecnologia é muito recente.
As principais fornecedoras de segurança cibernética se consolidaram como grandes beneficiárias do cenário. Os resultados recentes da CrowdStrike e da Okta mostram aumento na procura por soluções de defesa contra IA. As ações da CrowdStrike e da Palo Alto Networks acumulam alta de cerca de 80% no ano, enquanto os papéis da Okta praticamente dobraram de valor.
Diante da explosão de startups prometendo resolver o problema da IA, muitos CISOs precisam acionar seus instintos para identificar os vencedores ou apostar em várias soluções até que um destaque claro surja, diz Jeremiah Kung, diretor global de segurança da informação da AppLovin.
Para Dalrymple, o alcance das decisões e a pressão por desempenho nunca foram tão intimidadores. “Sinto o peso do mundo para descobrir como fazer por conta própria”, afirma.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/inteligencia-artificial-reorganiza-papel-do-ciso/

