PANROTAS / Filip Calixto
Durante o Fórum Abracorp 2025, realizado hoje (28) em São Paulo, a questão dos preços abusivos cobrados pela hotelaria de Belém para a Cop 30 foi destaque em debate mediado pelo CCO e editor-chefe da PANROTAS, Artur Luiz Andrade, com a participação de especialistas do setor. Andrade perguntou a opinião dos participantes do debate sobre o assunto: a hotelaria merece o papel da vilã que está recebendo?
Guilherme Martini, VP de Operações, Vendas e Marketing da Atlantica Hospitality International, justificou que o aumento dos preços se dá porque os hotéis estão tendo aumento de custos com a realização do evento.
“Trata-se de um evento sendo realizado em um lugar que não tem capacidade para brigar pela quantidade de visitantes esperada. Para poder atender à demanda da COP 30, os hotéis estão tendo um aumento de custo absurdo, considerando os gastos com o aparato de segurança na operação hoteleira, a retenção do colaborador do hotel durante a realização do evento, a contratação de pessoas que falem inglês. Tem muito custo associado à entrega desse produto e isso é repassado nos preços”, comenta Martini.
PANROTAS / Filip Calixto

Já para o Chief Commercial Officer Accor Americas Premium, Midscale & Economy, André Sena, trata-se de um problema de infraestrutura. “Quando falamos sobre COP 30, não estamos falando de uma questão hoteleira, mas sim de infraestrutura. Seria o meu sonho poder ‘mandar mais hotéis’ para lá, mas não tem essa capacidade”, comenta.
Porém, Artur Andrade lembrou que o Brasil é conhecido por receber eventos de grande porte, inclusive em destinos que não praticaram essa cobrança abusiva de tarifas. Ana Prado, da Syngenta, enviou uma pergunta no meio do debate, dizendo que não há o que justifique a cobrança de tarifas abusivas, que chegam a ser até 20 vezes maiores do que a média.
PANROTAS / Filip Calixto

Guilherme Martini afirma que é natural que haja aumento nos preços devido à pressão nos custos que vai acontecer. por conta da lei da oferta e da demanda. “Quando temos no setor a demanda muito maior do que a oferta, os preços se regem por essa regra de mercado. Se a hotelaria está cobrando aquele preço, cabe ao cliente entender se faz sentido ou não pagá-lo. Vimos abusos acontecendo, sim, mas isso ocorre pela dinâmica de mercado e não dá para regular isso. Quando se coloca um evento em uma praça que não o comporta, há esse tipo de situação”, conclui.
Por fim, André Sena, por sua vez, destacou que 90% dos hotéis no Brasil são independentes e, diante desse cenário, torna-se difícil para representantes de grandes redes hoteleiras responderem por eles.
“Não podemos responder por decisões tomadas por donos de hotéis individuais. É muito difícil quando o vizinho toma decisões que nem sempre são baseadas no mesmo critério que os nossos. Neste caso, é difícil respondermos pela indústria”, conclui Sena.
Fonte: https://www.panrotas.com.br/hotelaria/mercado/2025/08/cop-30-como-especialistas-do-setor-hoteleiro-justificam-as-tarifas-abusivas_220878.html

