Mais da metade das lideranças empresariais brasileiras não sabe se a inteligência artificial (IA) gera retorno. É o que revela o Panorama da IA no Brasil 2026, terceira edição do estudo anual realizado pela Zappts, empresa especializada em transformação agêntica para grandes corporações. Segundo o levantamento, 55,1% das empresas não têm nenhum mapeamento estruturado de ROI em IA, quase o dobro dos 30,6% registrados na edição de 2025. Apenas 19,8% medem o retorno com clareza e de forma recorrente.
“As empresas brasileiras já entenderam que um agente de IA é força de trabalho, não é mais um projeto de TI isolado. O problema é que a maioria ainda trata essa força de trabalho sem nenhum controle financeiro. Não dá para sustentar um modelo de headcount híbrido sem medir ROI, e não dá para medir ROI sem orçamento próprio para agentes de IA”, afirma Pablo Augusto, CEO da Zappts.
As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
A falta de maturidade financeira no uso de IA tornou-se a principal dor das empresas no último ano, segundo a pesquisa, reflexo de uma adoção que cresceu mais rápido do que a capacidade de medir seus resultados. O problema começa na origem do dinheiro: 26,2% das empresas não têm orçamento definido para projetos de agentes de IA, e outras 19,5% precisam disputar espaço dentro do orçamento tradicional de TI, em vez de contar com verba própria.
Na lista de obstáculos para implementar agentes de IA, segurança da informação e privacidade lidera com 13,7% das respostas, seguida por integração com sistemas legados (10,5%). Já a falta de talento, que dominava o discurso do mercado nos últimos dois anos, chegando a travar mais de 60% das empresas em 2024 e 2025, despencou para último lugar, citada por apenas 3,2% dos respondentes. O gargalo migrou de perfil: hoje se concentra em especialistas em orquestração de agentes e LLMs, mencionados por 16,8% das empresas.
“Segurança virou o novo gargalo porque a autonomia avançou mais rápido que a governança. Nenhuma empresa deveria colocar um agente lendo e-mail de cliente ou mexendo em dado financeiro sem um Gateway registrando e controlando cada chamada. Sem isso, você não sabe nem quanto está gastando em token, e menos ainda se algum dado vazou”, diz Rodrigo Bornholdt, CTO da Zappts.
Novos desafios corporativos
Enquanto a adoção acelera, a governança não acompanha. 41,9% das empresas admitem não ter nenhuma política, framework ou regra de segurança e ética para o uso de agentes de IA. O risco se amplia porque a maior parte dos usuários de IA hoje não está na área de tecnologia, 59,9% dos respondentes ocupam cargos fora do C-Level e das diretorias de TI, o que alimenta o chamado Shadow AI, uso de ferramentas fora do radar corporativo. Na infraestrutura, o retrato é parecido: 55,2% das empresas não têm ou não sabem o que é um Gateway de IA, camada de controle que monitora e protege o tráfego dos agentes.
O estudo também mapeou a dificuldade de sair do piloto para a operação em escala. Quase metade do mercado (48%) está em fase intermediária, dividida entre projetos-piloto (24%) e implementação em áreas específicas (24%). Apenas 13,8% chegaram ao uso generalizado em toda a empresa, percentual praticamente estagnado frente aos 11,3% de 2025. A autonomia plena, sem supervisão humana, ainda é rara: só 3,6% das empresas permitem que agentes executem processos críticos de ponta a ponta, enquanto 36,5% exigem aprovação humana para 100% das ações.
O impacto sobre o quadro de funcionários aparece com força nos números. Somando as respostas que apontam algum tipo de ajuste em função da IA, 77,3% das empresas preveem mudanças nos próximos três anos: 28,7% planejam realocar e requalificar equipes, 27% vão congelar contratações operacionais e 21,6% preveem redução direta de posições. Apenas 13,8% esperam aumentar o quadro.
O Panorama da IA no Brasil 2026 ouviu 167 respondentes de grandes empresas executivos de tecnologia, inovação e negócios em cargos de liderança —, entre abril e julho de 2026, com margem de erro estimada de 7,6% e nível de confiança de 95%.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!
Fonte: https://itforum.com.br/noticias/empresas-brasileiras-ia-retorno-estudo/

