Bolsonaro é preso sem anunciar sucessor e bagunça disputa da direita

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso no sábado (22/11), antecipando em alguns dias sua ida para um regime fechado (ainda preventivo) por causa de um suposto surto que o levou a tentar romper sua tornozeleira eletrônica. Tal saída se deu fora do roteiro desenhado por aliados, sem o esperado anúncio ou indicativo concreto de quem é seu favorito para substituí-lo no papel de líder da direita, aumentando o clima de disputa para quem assumirá o posto de candidato conservador à Presidência em 2026.

A detenção como aconteceu pegou seus colegas e seu eleitorado desprevenidos. A tornzeleira violada com ferro quente virou o assunto no país após a divulgação das imagens. Nos bastidores, caciques da direita e da esquerda calculavam que Bolsonaro só seria preso em regime fechado partir da próxima segunda-feira (22/11), quando acaba o prazo para recursos na ação penal da tentativa do golpe, e durante um curto espaço de tempo.  O capitão, no roteiro dos aliados, ficaria uma semana numa cela, e depois voltaria à prisão domiciliar.

Nesse cenário, o papel desejada por aliados para Bolsonaro seria o de regente oculto da dança das cadeiras da direita na eleição de 2026. A aposta era demonstrar ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STD) Alexandre de Moraes bom comportamento e problemas de saúde incompatíveis com o regime fechado. De casa, ele continuaria inelegível e impedido de fazer campanha, mas ainda daria ordens à oposição, podendo influir facilmente em conflitos sobre candidaturas nos estados.

7 imagensO governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em evento de educaçãoZema também esteve no encontroRatinho Junior também se coloca como candidato pelo PSDO governador de Minas Gerais, Romeu Zema, participou de entrevista no Contexto Metrópoles, nesta quarta-feiraFechar modal.1 de 7

Flávio Bolsonaro em oração pelo pai

Giovana Alves/Metrópoles2 de 7

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em evento de educação

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Reprodução de vídeo de Isabella Cavalcante4 de 7

Zema também esteve no encontro

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Ratinho Junior também se coloca como candidato pelo PSD

Alan Santos / PR6 de 7

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, participou de entrevista no Contexto Metrópoles, nesta quarta-feira

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES 7 de 7

Bolsonaro acompanhado de Tarcísio e Flávio Bolsonaro

Reprodução/ redes sociais

Mas entre o ensaio e a realidade houve a violação da tornozeleira eletrônica. Bolsonaro foi preso num sábado e seus aliados viram maldade em Moraes “escolher” o dia 22. Saiu da sua casa, em Brasília (DF), sem sequer poder fazer um derradeiro discurso aos apoiadores que fariam a vigília convocada na noite anterior pelo filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – e que foi uma das justificativas para a prisão.

Os candidatos a substituto

Há pelo menos cinco nomes em avaliação para candidatura da direita em 2026 com o apoio do Centrão. São eles os governadores: Eduardo Leite (PSD-RS), Ratinho Júnior (PSD-PR), Ronaldo Caiado (União-GO), Romeu Zema (Novo-MG) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Era uma disputa a olhos vistos, mas sem maiores caneladas até então. Esperava-se que Bolsonaro escolhesse um desses nomes para representá-lo até março do ano que vem.

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Mas a prisão, avaliam aliados do ex-presidente, colocará Flávio Bolsonaro em evidência. Como a vigília convocada por ele foi um dos motivos citados na decisão de Moraes pela prisão, espera-se que o senador seja colocado de vez como presidenciável. Até o momento, ele foi o filho que mais se preservou no embate com o STF.

No mínimo, dizem lideranças do PL, caberia a Flávio o papel de vice numa chapa que queira amarrar o eleitorado bolsonarista. Mas tal composição não é bem-quista pelo Centrão, que também exige a vice para embarcar na chapa e não quer herdar a rejeição que o sobrenome Bolsonaro carrega no eleitorado.

O temor entre os caciques da direita é que, sem a possibilidade de maiores intervenções ou apelos de Jair Bolsonaro, seu filho 03, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), crie mais atritos com os candidatos à sucessão do pai.

Recentemente, ele trocou farpas públicas com Tarcísio por entender que o governador de São Paulo se aproveitava do mau momento do ex-presidente para se cacifar como presidenciável em 2026. No ápice da disputa, Eduardo se colocou como candidato na ausência de Bolsonaro.

Fonte: https://www.metropoles.com/brasil/bolsonaro-e-preso-sem-anunciar-sucessor-e-bagunca-disputa-da-direita