Em discurso nesta segunda-feira (18) no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), Lula voltou a confrontar o discurso entreguista que une Flávio Bolsonaro (PL) à Faria Lima e mídia liberal ressaltando a importância da Petrobrás e da soberania na exploração das terras raras no Brasil.
Ao falar sobre investimentos em inovação, Lula lembrou da criação da Petrobrás por Getúlio Vargas, que enfrentou interesses da burguesia brasileira que queria colocar a exploração do petróleo em mãos privadas, assim como querem Flávio Bolsonaro e Romeu Zema (Novo).
“Se o Getúlio Vargas não tivesse pensado em queimar contra a elite brasileira e fundar a Petrobrás, a gente não tinha a Petrobrás. Portanto, a gente não teria a mais importante empresa de petróleo da América Latina e a mais importante em prospecção de petróleo em águas profundas do mundo. A gente não teria essa riqueza”, disse Lula.
Lula ainda ressaltou que “muita gente fala em inovação na expectativa de que o Estado faça” e que a “Petrobrás não, ela põe dinheiro”, sobre os investimentos da estatal do petróleo, especialmente em ciência e tecnologia.
Em seguida, Lula emendou no assunto sobre as terras raras. Citando o encontro com Donald Trump na Casa Branca, o presidente falou que as parcerias para exploração dos minérios são bem vindas, mas ressaltou a questão soberana do Brasil sobre a riqueza.
“A gente vai ter que contar com a inteligência, a ciência e o conhecimento de vocês para a gente dar um salto de qualidade e ver se em um curto espaço de tempo, a gente faz com que o Trump pare de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós para que a gente possa explorar aqui. Nós não temos veto a ninguém. Nós não temos preferência por ninguém. Aqui pode vir chinês, pode vir alemão, pode vir francês, pode vir japonês, pode vir americano, pode vir quem quiser. Desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania para dizer os minerais críticos são nossos”, emendou.
Sirius
Acompanhado da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, Lula participou da inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius. As novas linhas irão ampliar a capacidade brasileira de pesquisa em áreas estratégicas como saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia e novos materiais.
A luz síncrotron é um tipo de radiação eletromagnética extremamente brilhante que se estende por um amplo espectro, isto é, ela é composta por diversos tipos de luz, desde o infravermelho, passando pela luz visível e pela radiação ultravioleta e chegando aos raios X. Com o uso dessa luz especial é possível penetrar a matéria e revelar características de sua estrutura molecular e atômica para a investigação de todo tipo de material.
Considerado a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil, o Sirius integra o grupo restrito de países com fonte de luz síncrotron de quarta geração. O equipamento funciona como um “supermicroscópio” capaz de analisar estruturas em escala atômica e apoiar pesquisas avançadas em diferentes áreas do conhecimento. Entre 85% e 90% de seus componentes foram produzidos ou desenvolvidos no Brasil, fortalecendo cadeias industriais de alta precisão e a engenharia nacional.
A programação em Campinas, que reforça os investimentos do Governo do Brasil em infraestrutura científica de alta complexidade, inovação tecnológica e soberania nacional, inclui, ainda, visita às obras do Projeto Orion, futuro primeiro laboratório NB4 da América Latina, e o primeiro do mundo conectado diretamente a uma fonte síncrotron avançada.
No mesmo evento, também será lançada a Pedra Fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, iniciativa coordenada pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A iniciativa visa ampliar o desenvolvimento nacional de tecnologias estratégicas voltadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), como biomoléculas, biossensores, dispositivos médicos e novos diagnósticos. O evento terá a participação do ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda.
Conheça as quatro linhas de luz síncrotron inauguradas:
- LINHA DE LUZ TATU – A linha de luz Tatu é a primeira a ser inaugurada no contexto da segunda fase do projeto Sirius. Financiada pelo Novo PAC, com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, será a primeira em uma fonte de luz de quarta geração a operar na faixa dos terahertz. A linha permitirá investigar fenômenos em materiais quânticos, sistemas nanofotônicos e biomoléculas, capazes de analisar estruturas em escala nanométrica. As pesquisas desenvolvidas na Tatu poderão contribuir para avanços em áreas como telecomunicações, computação e processamento de dados baseado em luz, além de ampliar as possibilidades de investigação em ciência de materiais e sistemas biológicos.
- LINHA SAPUCAIA – A linha Sapucaia é voltada para estudos com nanopartículas, proteínas, polímeros, catalisadores, medicamentos, fluidos humanos e terapias, além de pesquisas no contexto da parceria científica entre Brasil e China.
- LINHA QUATI – A linha Quati permitirá investigações avançadas em materiais para as indústrias petroquímica e farmacêutica, além de pesquisas em terras raras e minerais críticos.
- LINHA SAPÊ – As pesquisas realizadas na linha de luz Sapê terão impactos no desenvolvimento de materiais avançados, com aplicações em energia, saúde e infraestrutura, bem como em materiais supercondutores e semicondutores, estes últimos importantes para o desenvolvimento de novos chips para a indústria eletrônica.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/lula-diz-que-elite-nao-queria-petrobras-e-fala-em-parceria-em-terras-raras-mantendo-soberania/

