O prefeito da cidade de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), voltou a atacar a Polícia Civil de São Paulo, comandada por seu aliado Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador do estado paulista, por ter realizado uma operação na sede do Instituto Conhecer Brasil (ICB), controlado por Karina Ferreira da Gama. Ela também é responsável pela produtora GoUp, que realizou o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na última segunda-feira (1), a Polícia Civil de São Paulo cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da produtora GoUp Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, além do escritório do Instituto Conhecer Brasil. As duas organizações são ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama, que preside o ICB e é proprietária da produtora.
A investigação apura possíveis irregularidades em um contrato firmado entre o instituto e a administração municipal para a instalação de pontos de wi-fi gratuito em comunidades da capital paulista. Segundo a Polícia Civil, há suspeitas de sobrepreço nos valores pagos pelo serviço.
“Polícia Civil manipulada por militante petista”
Ao ser questionado sobre a operação da Polícia Civil contra o Instituto Conhecer Brasil, o prefeito Ricardo Nunes disparou ataques contra a instituição e afirmou que ela está sendo manipulada por “uma denúncia de um militante petista do Rio Grande do Sul”.
“Quem fez a denúncia ao Ministério Público Federal foi um militante filiado ao PT — ele diz isso e dá o número de filiação dele — do Rio Grande do Sul […] algo que sai do PT do RS pode ter, eventualmente, uma conotação política e mais política do que verídica dos fatos. Infelizmente, a denúncia maldosa […] foi copiada e colocada pelo MPF, copiada e colada pelo Ministério Público estadual, e copiada e colada, infelizmente, pelo delegado da Polícia Civil de São Paulo. Foi copia e cola”, disparou Ricardo Nunes.
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Delegados reagem a Flávio Bolsonaro e Nunes por ataques à Polícia Civil
A Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo (ADPESP) saiu em defesa da operação que investiga um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), rebatendo críticas feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), que apontaram suposta motivação política na ação policial.
“Ninguém está acima da lei”
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o presidente da ADPESP, André Santos Pereira, afirmou que a investigação segue os procedimentos legais e negou qualquer viés político na atuação dos investigadores.
“Ninguém está acima da lei”, declarou o delegado, acrescentando que o caso está sendo conduzido dentro do rito processual previsto na legislação.
Pereira também destacou que o Tribunal de Contas do Município (TCM) teria identificado cerca de 20 irregularidades no edital do contrato e recomendado a suspensão do processo, medida que não foi adotada pela prefeitura.
“Não se trata, a meu ver, de uma perseguição política. Trata-se do cumprimento do dever constitucional de apurar eventual irregularidade no âmbito de contratos públicos”, afirmou.
Motivações eleitorais
As críticas à operação partiram de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro sugeriu que a investigação poderia ter motivações eleitorais.
“Só espero que não seja uma perseguição estatal por parte de alguns setores para influenciar as eleições”, declarou o senador.
Ricardo Nunes também questionou a ação policial e classificou a operação como uma possível “perseguição política” e um “desrespeito à democracia”. A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, responsável pelo contrato investigado, também foi alvo das buscas.
Segundo o prefeito, parte dos documentos apreendidos já havia sido entregue anteriormente aos investigadores. Nunes afirmou ainda que, caso a operação esteja relacionada à produção do filme Dark Horse, a situação seria preocupante.
“Se a motivação é por conta do filme, então estão indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa disso. Aí é grave, é perseguição política”, declarou.
O caso ganhou repercussão após a Go UP Entertainment e o ICB passarem a ser citados em reportagens relacionadas ao escândalo envolvendo o Banco Master. As revelações apontaram que Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos ao empresário Daniel Vorcaro para financiar a produção de Dark Horse. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o ex-banqueiro teria desembolsado R$ 61 milhões para o projeto.
De acordo com as reportagens, os recursos teriam sido transferidos ao exterior por meio da Entre Investimentos e destinados ao fundo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A Go UP nega ter recebido recursos de Vorcaro.
Além do contrato sob investigação, o Instituto Conhecer Brasil também recebeu cerca de R$ 700 mil em emendas parlamentares. A trajetória da produtora ganhou projeção nos últimos anos após a aproximação de Karina Gama com o deputado federal Mário Frias (PL-RJ), ex-secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro.
Tarcísio
Questionado sobre a controvérsia, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o governo estadual não interfere no trabalho da Polícia Civil.
“A polícia tem autonomia para fazer as suas investigações, para fazer as suas operações. É uma instituição de Estado. Havia uma investigação em curso, uma demanda do Ministério Público, e a polícia cumpriu essa demanda”, declarou o governador durante agenda em Rio Claro, no interior paulista.
Tarcísio acrescentou que a corporação continuará atuando com independência institucional. “A polícia vai ser e sempre será uma instituição de Estado, está a serviço do Estado”, concluiu.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/ricardo-nunes-acusa-policia-civil-de-sp-de-ser-manipulada-por-petista/

