Um ator registrou boletim de ocorrência após afirmar que foi agredido e chamado de “ladrão” durante as gravações do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O caso ocorreu no Memorial da América Latina, na Zona Oeste de São Paulo, durante uma revista na entrada do set.
Segundo o relato registrado no boletim obtido pelo g1, os atores eram revistados por homens apresentados como policiais “por ser uma gravação estrangeira”. O ator disse que segurava uma blusa quando um integrante da equipe, descrito por ele como “um americano”, puxou a peça de sua mão e pediu que ele deixasse o local.
O homem afirmou ainda que foi chamado de “ladrão” e conduzido até a saída por seguranças. De acordo com o registro, ele precisou retornar ao set para buscar pertences e trocar de roupa. Nesse momento, segundo o relato, um segurança passou a encará-lo e apontar o dedo em sua direção.
“Nisso eu só levantei a mão para pedir pra ele se afastar um pouco, e ele deu um tapa na minha mão. Aí eu o empurrei para sair de cima de mim, nisso ele voltou e me deu um soco no rosto e testa”, diz trecho do boletim. Um documento médico da UPA que atendeu o ator, obtido pela GloboNews, aponta um “pequeno ferimento de menos de 1 centímetro na região frontal da cabeça”.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que há um inquérito aberto para investigar o caso.
O episódio ocorre em meio a outras apurações envolvendo a estrutura ligada ao filme. O Ministério Público de São Paulo abriu investigação para apurar irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), que pertence à sócia da produtora de “Dark Horse”.
O acordo entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, da gestão Ricardo Nunes (MDB), e a ONG prevê a instalação, operação e manutenção de 5 mil pontos de wi-fi público na periferia paulistana pelo prazo de 12 meses.
O Instituto Conhecer Brasil tem como única sócia Karina Ferreira Gama, também sócia única da Go Up Entertainment. As duas empresas funcionam no mesmo endereço, na Avenida Paulista.
O inquérito foi instaurado após denúncia do vereador Nabil Bonduki (PT), que aponta indícios de irregularidades no chamamento público e na execução do contrato. Ele afirma que o processo teve apenas uma participante, o próprio ICB, e levanta suspeita de direcionamento, além de apontar suposto superfaturamento de mais de R$ 27 milhões.
O ICB também recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias (PL-RJ), produtor executivo e roteirista do filme. A destinação do dinheiro é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal.
Na sexta-feira (15), o ministro Flávio Dino determinou a abertura de apuração preliminar sobre supostas irregularidades nas emendas destinadas a entidades ligadas à produtora do filme sobre Bolsonaro.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/ator-de-dark-horse-foi-agredido-e-chamado-de-ladrao-durante-as-gravacoes/

