Nesta sexta-feira, os Estados Unidos estreiam na Copa do Mundo de 2026 diante do Paraguai, em um torneio que já chega cercado de bizarrices. Nos últimos dias, a competição foi marcada por racismo e xenofobia, frutos da política migratória do governo Trump, a fraqueza da gestão corrupta da FIFA e a revolta com os preços estratosféricos de ingressos, hospedagem e serviços.
Em meio a esse cenário turbulento, a seleção americana aposta em um projeto ambicioso, financiado por bilionários de Wall Street, para tentar alcançar a melhor campanha de sua história em uma Copa do Mundo.
A história dessa aposta começou após a eliminação precoce dos Estados Unidos na Copa América de 2024. O fracasso provocou uma onda de indignação entre torcedores e dirigentes. O técnico Gregg Berhalter virou alvo de protestos, enquanto crescia a percepção de que a equipe havia estagnado e precisava de um treinador de nível mundial para chegar competitiva ao Mundial disputado em casa.
O problema era que os Estados Unidos jamais haviam produzido um técnico de elite no futebol masculino e, historicamente, tampouco possuíam o prestígio esportivo necessário para atrair um dos grandes nomes do mercado internacional. Além disso, a federação americana raramente teve recursos para competir com os gigantes do futebol mundial na contratação de treinadores.
O que mudou foi a entrada em cena de bilionários e investidores dispostos a financiar esse salto de ambição.
Após a demissão de Berhalter, a federação iniciou uma busca global por um substituto. Entre os nomes avaliados estavam o alemão Jürgen Klopp, campeão da Liga dos Campeões e da Premier League pelo Liverpool, e o argentino Mauricio Pochettino, que havia deixado recentemente o comando do Chelsea.
Enquanto negociavam com possíveis treinadores, dirigentes da U.S. Soccer também conversavam com patrocinadores e potenciais doadores para descobrir como financiar uma contratação sem precedentes.
O acordo acabou sendo viabilizado por uma combinação de recursos privados. A federação confirmou que o salário multimilionário de Pochettino recebeu apoio decisivo de Kenneth C. Griffin, um dos homens mais ricos dos Estados Unidos e fundador da gestora Citadel. Também participaram do esforço financeiro Scott Goodwin, dono da Diameter Capitak, e diversos parceiros comerciais.
Segundo a presidente da federação, Cindy Parlow Cone, a contratação simplesmente não teria acontecido sem esse suporte financeiro.
“Eu pago”
Goodwin, nascido na França e com passagem pela Espanha, acompanhava o futebol de perto mesmo após construir carreira no mercado financeiro.
Durante a Copa América de 2024, ele participava de grupos de mensagens com amigos ligados ao esporte, entre eles ex-jogadores profissionais. Quando surgiram rumores de que a federação poderia tentar contratar nomes como Klopp, alguém comentou que os melhores técnicos do mundo provavelmente seriam caros demais.
A resposta de Goodwin foi direta: “Eu pago.”
Apresentado à federação por contatos do futebol, Goodwin passou a participar de reuniões com dirigentes da U.S. Soccer. Em um café da manhã com o CEO da entidade, JT Batson, ouviu um argumento simples: uma campanha histórica na Copa de 2026 poderia mudar o futebol americano por décadas, inspirando milhões de crianças e consolidando o esporte no país.
Segundo Batson, ao final da conversa Goodwin respondeu: “Estou dentro — e vou trazer outras pessoas também.”
Mas havia uma condição: a federação precisava contratar alguém que realmente justificasse o investimento.
Para Goodwin, apenas três nomes atendiam ao requisito: Klopp, Pochettino e Pep Guardiola.

Como Ken Griffin entrou no negócio
À medida que as negociações com Pochettino avançavam, ficou claro que ainda existia uma diferença significativa entre o salário desejado pelo treinador e aquilo que a federação considerava possível pagar.
Foi então que Goodwin procurou Griffin.
Os dois já haviam conversado anteriormente sobre futebol, incluindo o impacto da chegada de Lionel Messi aos Estados Unidos. Griffin já demonstrava interesse no crescimento do esporte e havia destinado milhões de dólares a projetos ligados ao futebol de base.
Quando Goodwin perguntou se ele estaria disposto a ajudar a financiar a contratação de Pochettino, a resposta foi positiva.
Segundo representantes da Citadel, Griffin enxergava a iniciativa como uma oportunidade para fortalecer o futebol nos Estados Unidos, ampliar o acesso de crianças ao esporte e, principalmente, ganhar ainda mais dinheiro.
Após uma série de reuniões, Griffin e Goodwin formalizaram seus compromissos financeiros. Os valores exatos nunca foram divulgados, mas foram suficientes para fechar o acordo.
Pouco depois, a federação anunciou oficialmente Pochettino como novo treinador da seleção masculina.

O técnico mais caro da história
Nos primeiros sete meses de trabalho, entre setembro de 2024 e março de 2025, Pochettino recebeu cerca de US$ 5 milhões, incluindo um bônus de assinatura de US$ 2,5 milhões.
Mesmo ganhando menos do que recebia no Paris Saint-Germain ou no Chelsea, ele se tornou o funcionário mais bem remunerado da história da U.S. Soccer.
O início, porém, esteve longe de ser tranquilo. Derrotas para Panamá e Canadá em 2025 alimentaram críticas e levaram muitos a questionar se o investimento valia a pena. Houve ainda especulações sobre atritos com a principal estrela da equipe, Christian Pulisic.
Mas, aos poucos, o trabalho começou a dar resultado.
Jovens jogadores ganharam espaço, reservas se transformaram em protagonistas e a equipe passou a apresentar maior flexibilidade tática. Uma vitória por 5 a 1 sobre o Uruguai foi apontada como um dos sinais mais claros de evolução.
Próximo de Pochettino, Goodwin chegou a recomendar que o treinador assistisse ao filme Miracle, que retrata a histórica conquista americana sobre a União Soviética nos Jogos Olímpicos.
Agora, com a Copa do Mundo começando e sob os holofotes mais intensos da história do futebol americano, chega o momento de descobrir se a aposta multimilionária dos magnatas de Wall Street produzirá os resultados esperados.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/bilionarios-de-wall-street-bancaram-tecnico-milionario-dos-eua-que-estreiam-hoje-na-copa/

