Banco de Edir Macedo foi à Justiça por R$ 500 milhões

Logomarca do Banco Digimais. Foto: Reprodução.

O Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo e líder religioso Edir Macedo, virou alvo da Operação Miragem da Polícia Federal, nesta terça-feira (23/6), após enfrentar uma disputa judicial aberta por uma acusação de prejuízo de quase R$ 500 milhões. O empresário Roberto Campos Marinho Filho, sócio do banco e dono da Yards Capital, acionou a Justiça contra a instituição.

A disputa judicial nasceu da participação do Digimais no fundo de investimento EXP 1, gerido pela Yards Capital. Marinho Filho contestou a aceitação de títulos emitidos pelas empresas Fictor, Reag e pelo Banco Master como lastro da operação.

O Digimais detém 80% do fundo, enquanto Marinho Filho possui os 20% restantes. Segundo o processo, os papéis da carteira perderam valor de mercado após o avanço de investigações sobre supostas fraudes envolvendo Banco Master, Reag e Fictor, todos sob investigação do Banco Central.

A Yards Capital notificou judicialmente o banco de Edir Macedo para tentar reaver aportes e transferir o risco financeiro acumulado na operação. A gestora exigiu que o Digimais recomprasse uma carteira de ativos avaliada em R$ 462,2 milhões: R$ 316,6 milhões em títulos do Banco Master e da Reag, além de R$ 145,6 milhões em papéis ligados à Fictor.

Viatura da Polícia Federal em operação em São Paulo
O bispo Edir Macedo. Foto: reprodução

Investigações atingiram Reag, Fictor e Banco Master

A Reag entrou na mira de grandes operações policiais que atingiram a Faria Lima, em São Paulo. A gestora de fundos é investigada por suposto envolvimento em manobras para esconder dinheiro do crime organizado, na operação Carbono Oculto, e por usar a mesma rede de fundos em movimentações suspeitas do Banco Master, na operação Compliance Zero. O Banco Central liquidou a Reag em 15 de dezembro.

A Fictor ganhou destaque depois de anunciar, em novembro de 2025, que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões. Um dia depois, o Banco Central liquidou o Master, e os principais executivos do banco acabaram presos. Em janeiro deste ano, a Fictor pediu recuperação judicial e afirmou que notícias envolvendo o Master levaram investidores a pedir resgates, esvaziando o caixa e provocando crise de liquidez.

A crise do Master atingiu outras instituições financeiras, entre elas o Digimais. Relatórios de 2024 e 2025 apontaram alta inadimplência depois da pandemia, perda de patrimônio e necessidade de aportes recorrentes para evitar quebra técnica. O dinheiro saiu do próprio Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record de Televisão.

Em 2025, o Digimais passou por reestruturações sob supervisão do Banco Central e abriu negociações de venda por causa de desafios operacionais. O investidor Mauricio Quadrado, ex-sócio do Banco Master, chegou a anunciar que havia fechado a compra com Edir Macedo, mas o negócio não avançou. Em São Paulo, o governo Tarcísio de Freitas também liberou o Digimais para operar crédito consignado na Polícia Militar após a crise.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/calote-500-milhoes-banco-edir-macedo-justica/