Como medida de Trump pode facilitar acesso de PCC e CV a fuzis dos EUA

A proposta do governo de Donald Trump de liberar a compra de armas online com entrega direta pelos Correios acendeu o sinal de alerta para a segurança pública no Brasil. Especialistas ouvidos pela BBC apontam que a eliminação da checagem presencial de antecedentes nos EUA e a facilitação do comércio digital de fuzis de assalto — como o AR-15 — devem acabar gerando um efeito cascata que beneficia diretamente as maiores facções criminosas brasileiras: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Recentemente, a própria gestão Trump designou o PCC e o CV como organizações terroristas. No entanto, ao mesmo tempo em que adota uma retórica dura contra os grupos, a Casa Branca avança com uma desregulamentação agressiva do mercado armamentista civil que promete reduzir os entraves na compra e no despacho de fuzis.

O Caminho do Fuzil: Das Lojas na Flórida para as Favelas Brasileiras

Historicamente, os Estados Unidos são a principal origem estrangeira dos fuzis que alimentam a guerra urbana no Brasil. O método utilizado por contrabandistas costuma explorar justamente a facilidade de aquisição em solo americano:

  1. Laranjas sem antecedentes: Organizações criminosas recrutam pessoas sem ficha limpa nos EUA para comprar pequenas quantidades de armas em lojas físicas.
  2. O Fator Online: Com a nova medida, o processo fica ainda mais fácil, permitindo compras em massa pela internet, eliminando o contato olho no olho com o vendedor e centralizando as entregas por via postal.
  3. Logística de Camuflagem: Uma vez adquiridos, os fuzis são desmontados e escondidos dentro de mercadorias comuns — como fornos elétricos e prensas hidráulicas — para serem despachados ilegalmente ao Brasil.

“Uma das propostas especialmente preocupantes é permitir a venda e a entrega de armas pelos Correios, sem qualquer interação presencial. O comprador pode ser qualquer pessoa que não tenha uma razão legítima para adquirir a arma”, diz John Lindsay-Poland, coordenador do projeto Stop US Arms to Mexico.

Raio-X das Apreensões: O Peso do Armamento Americano

O impacto dessa permissividade no mercado norte-americano é sentido na ponta final pelo aparato de segurança pública brasileiro. Dados de monitoramento de fuzis apreendidos revelam a dominância da indústria americana no arsenal do crime organizado.

Em um levantamento realizado pelo Instituto Sou da Paz sobre fuzis recolhidos pelas polícias que tiveram sua origem identificada, os números são claros:

Origem do Fuzil Percentual no Mercado Ilegal do Crime
Estados Unidos (Marcas como Colt/AR-15) 43,4%
Brasil (Produção Nacional) 34,5%
Outros Países (Europa/Ásia) 22,1%

Na cidade do Rio de Janeiro, o cenário se mostra ainda mais alarmante: relatórios da Polícia Militar apontam que cerca de 60% dos fuzis apreendidos em confrontos com o Comando Vermelho e redes de milícias são de fabricação norte-americana.

Afrouxamento de Exportações Legais

Além do mercado doméstico, o governo de Donald Trump revogou restrições que dificultavam a exportação de armas civis para 36 países considerados “sensíveis” devido ao histórico de desvio de armamento e violações de direitos humanos (incluindo vizinhos do Brasil, como Paraguai, Colômbia, Peru e Suriname).

A justificativa de Washington é puramente comercial: a medida deve gerar centenas de milhões de dólares anuais para a indústria armamentista norte-americana. Contudo, relatórios do próprio governo americano (GAO) apontam que cerca de 20% das armas de crime recuperadas na América Central têm origem em exportações legalmente autorizadas pelos EUA.

A Nova Ameaça: O Boom das “Armas Fantasma” Clandestinas

Embora a rota americana continue ativa, o cenário do tráfico de armas no Brasil passa por uma transformação interna. A “principal dor de cabeça” atual do Ministério da Justiça e Segurança Pública é o surgimento de fábricas clandestinas de alta tecnologia em solo nacional.

Essas operações produzem as chamadas “armas fantasma” (sem número de série ou registro), utilizando maquinário industrial de alta precisão e softwares avançados para replicar plataformas famosas como o AR-15 (americano) e o AK-47 (russo).

Caso Emblemático: Em Santa Bárbara d’Oeste (SP), a polícia desmontou uma fábrica clandestina que operava disfarçada de produtora de peças aeronáuticas, com capacidade estimada para produzir até 3,5 mil fuzis por ano.

Custo-Benefício para o Crime: Embora tenham uma durabilidade menor (cerca de 3 mil disparos contra 10 mil de um fuzil original), essas réplicas nacionais possuem custo operacional imensamente menor para as facções do que a importação ilegal dos EUA, servindo perfeitamente para o combate urbano.

!function(f,b,e,v,n,t,s)
{if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?
n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,’script’,
‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘301448060382165’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-medida-de-trump-pode-facilitar-acesso-de-pcc-e-cv-a-fuzis-dos-eua/