O prazo da prisão domiciliar humanitária concedida a Jair Bolsonaro (PL) chegou ao fim nesta sexta-feira (26) sem definição sobre a permanência do ex-presidente em casa ou seu retorno à Papudinha. A indefinição ocorre em meio a uma direita desorganizada e à crise aberta entre a sua esposa, Michelle (PL), e seu filho, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde março, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por razões médicas. Durante o período, o ex-presidente ficou impedido de receber visitas fora do núcleo autorizado, com exceção de médicos, advogados e familiares.
Aliados afirmam que o isolamento de Bolsonaro prejudicou a articulação eleitoral da direita para 2026. A queixa é que o ex-presidente deixou de arbitrar disputas regionais, o que agravou impasses na formação de chapas e alianças em estados considerados estratégicos.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), secretário-geral do partido e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, afirma que as restrições impostas por Moraes dificultam decisões nacionais. Segundo ele, Bolsonaro está “circunscrito” e conversa com poucas pessoas.
O principal foco de tensão está no Ceará. Michelle defende a candidatura da vereadora Priscila Costa (PL) ao Senado, mas o PL local decidiu lançar Alcides Fernandes, pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE), aliado de Flávio e Eduardo Bolsonaro. A disputa levou a ex-primeira-dama a publicar vídeos em que disse ter sido maltratada e humilhada pelo enteado.

A crise atingiu Flávio Bolsonaro justamente no momento em que sua pré-campanha tenta reduzir a rejeição entre mulheres. Michelle, por sua vez, tenta preservar seu capital político no PL Mulher e reclama que suas indicadas vêm sendo rifadas nas negociações estaduais.
Em São Paulo, aliados também apontam falta de comando. Bolsonaro preferia o coronel Ricardo Mello Araújo (PL), vice-prefeito da capital, como candidato ao Senado, enquanto Eduardo Bolsonaro defendia o deputado federal Mário Frias (PL). Valdemar Costa Neto acabou convencendo Eduardo a apoiar André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa.
No Distrito Federal, a crise envolve a tentativa de unificar a direita em torno da governadora Celina Leão (PP) e do grupo do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB). A preferência explícita de Michelle por Celina e por Bia Kicis (PL-DF) ao Senado virou mais um obstáculo na montagem de uma chapa única.
Michelle também tem indicado que pode não disputar o Senado caso precise seguir cuidando de Bolsonaro. Em junho, ela afirmou que sua prioridade era “a casa” e “o marido” e disse que pediria a prorrogação da domiciliar ao ministro Alexandre de Moraes.
A defesa de Bolsonaro pediu a manutenção da prisão domiciliar, alegando doenças crônicas e sequelas permanentes. O destino do ex-presidente, no entanto, pode ser afetado pelo caso da arma apreendida em uma blitz no Distrito Federal. Moraes deu prazo para a Procuradoria-Geral da República se manifestar e observou que eventual falta grave pode justificar regressão de regime, inclusive com cessação da domiciliar.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/direita-rachada-e-crise-entre-michelle-e-flavio-marcam-fim-da-domiciliar-de-bolsonaro/

